A Rússia estudará maneiras de ajudar Cuba, considerada um "país amigo" e alvo do bloqueio imposto pelos Estados Unidos, afirmou Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, em entrevista à agência TASS publicada nesta quarta-feira (11).
"Estamos em contato com nossos amigos cubanos. Cuba está longe, infelizmente, e não é fácil chegar até lá, mas, mesmo assim, discutiremos com eles possíveis formas de prestar ajuda", disse Peskov, sem detalhar o tipo de assistência que está sendo considerada.
O porta-voz acrescentou que, na visão de Moscou, Cuba enfrenta grandes dificuldades por causa do bloqueio norte-americano, que "estrangula" o país e seu povo. "O problema lá não é combustível. O problema é o bloqueio dos Estados Unidos. Não acho correto que um país estrangule outro e seu povo", declarou.
Peskov destacou ainda que "quando não há combustível para entregar medicamentos ou transportar pacientes com urgência por via aérea, é algo muito grave".
Ameaças de Trump a Cuba
Após a agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, Donald Trump fez declarações ameaçando aumentar a pressão sobre Cuba. O presidente norte-americano afirmou que "entrar e destruir" Cuba poderia ser a única opção restante para forçar uma mudança.
As ameaças ocorrem em meio ao bloqueio econômico e comercial que os EUA mantêm sobre Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi ainda reforçado com várias medidas coercitivas e unilaterais da Casa Branca.
Em 29 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva declarando "estado de emergência nacional" em resposta à alegada "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representa para a segurança dos Estados Unidos e da região. O texto acusa o governo cubano de se aliar a "numerosos países hostis", abrigar "grupos terroristas transnacionais" como o Hamas e o Hezbollah, e permitir o destacamento na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".