EUA 'estrangulam' povo cubano, denuncia Kremlin

Segundo Dmitry Peskov, as medidas de Washington provocam falta de combustível em Cuba, afetando inclusive a entrega de medicamentos.

Cuba enfrenta dificuldades por causa do bloqueio imposto pelos Estados Unidos, que "estrangula" o país e seu povo, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em entrevista à agência TASS.

"O problema ali não é o combustível. O problema ali é o bloqueio dos Estados Unidos. Não acho correto que um país estrangule outro e o seu povo", declarou.

A medida de sufocamento dos EUA afeta serviços essenciais na ilha que, conforme noticiado pelo InfoMoney na segunda-feira (9), alertou para a falta de combustível para voos internacionais.

"Quando não há combustível para entregar medicamentos, quando não há combustível para transportar pacientes com urgência por via aérea, isso é muito ruim", ressaltou o porta-voz.

Ameaças de Trump a Cuba

Após a agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, Donald Trump fez declarações ameaçando aumentar a pressão sobre Cuba. O presidente norte-americano afirmou que "entrar e destruir" Cuba poderia ser a única opção restante para forçar uma mudança.

As ameaças ocorrem em meio ao bloqueio econômico e comercial que os EUA mantêm sobre Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi ainda reforçado com várias medidas coercitivas e unilaterais da Casa Branca.

Em 29 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva declarando "estado de emergência nacional" em resposta à alegada "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representa para a segurança dos Estados Unidos e da região. O texto acusa o governo cubano de se aliar a "numerosos países hostis", abrigar "grupos terroristas transnacionais" como o Hamas e o Hezbollah, e permitir o destacamento na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canelafirmou que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".