Primeiro modelo de IA feito na América Latina é lançado: 'Estamos à mesa, não somos o cardápio'

Cerca de 15 nações da região apoiaram o nascimento do Latam-GPT.

O Chile lançou nesta terça-feira (10) o Latam-GPT, o primeiro modelo de linguagem de inteligência artificial para a América Latina e o Caribe, em meio ao domínio estabelecido tanto pelos EUA quanto pela China no setor.

Durante a apresentação oficial do projeto, o presidente chileno, Gabriel Boric, ecoou as palavras do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, que pediu em Davos que as potências intermediárias se unissem, "porque se você não está à mesa, está no cardápio".

"Estamos defendendo nossa identidade, estamos defendendo nosso direito de existir, é uma questão muito relevante", comentou Boric. "Estamos posicionando a região como um ator ativo e soberano na economia do futuro. Estamos à mesa, não somos o cardápio", enfatizou.

De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Conhecimento e Inovação do Chile, o Latam-GPT tem como objetivo construir capacidades próprias em inteligência artificial generativa por meio de uma arquitetura aberta, cooperação multilateral e uma governança ética compartilhada.

De fato, são 15 os países da região que participam do projeto, razão pela qual afirmam que ele é impulsionado por um modelo de colaboração "sem precedentes", que articula o Estado, a academia, organismos internacionais, como o Banco de Desenvolvimento da América Latina, e gigantes tecnológicas como a Amazon Web Services.

"Este modelo, desenvolvido por pesquisadores, cientistas e profissionais da região, posiciona a América Latina não apenas como usuária de tecnologia de ponta, mas como protagonista em sua criação, fortalecendo a capacidade regional para inovar com identidade própria", acrescentou o Ministério.