O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve contatos com países que compram petróleo e gás russos para incentivá-los a adquirir esses produtos dos EUA, mesmo a preços mais elevados. A declaração foi feita nesta terça-feira (10) em entrevista ao canal russo NTV, onde o chanceler avaliou as relações russo-americanas no início do segundo mandato de Trump.
Lavrov recordou declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, segundo as quais, quando interesses nacionais de Washington e Moscou coincidem, devem ser explorados por meio de projetos "mutuamente benéficos".
"Só podemos ser favoráveis e estamos interessados em desenvolver uma cooperação mutuamente benéfica com os Estados Unidos", confirmou Lavrov.
No entatanto, o chanceler afirmou que os passos práticos adotados no primeiro ano do segundo mandato de Trump "não seguem a direção correta". Na entrevista, mencionou que as sanções contra a Rússia permanecem e que, meses após a cúpula entre o presidente russo Vladimir Putin e Trump no Alasca, uma decisão norte-americana proibiu projetos no exterior das petrolíferas Lukoil e Rosneft.
Lavrov disse que Washington não esconde ter contatado "todos os países" que compram petróleo e gás russos, incluindo a Índia. Trump anunciou, em 2 de fevereiro, que a Índia deixaria de adquirir petróleo russo, informação que Nova Delhi não confirmou.
"Agora sabemos — e eles não estão exatamente escondendo isso — que o presidente dos EUA, Donald Trump, teve contato com todos os países que compram petróleo e gás da Rússia, incluindo a Índia, após o que anunciou que a Índia deixaria de comprar petróleo russo. A Índia não confirmou isso", disse Lavrov.
O chanceler concluiu dizendo que o objetivo da Casa Branca é "apoderar-se do mercado de energia em escala mundial".