Dissolução da Legião Internacional expõe crise entre combatentes estrangeiros na Ucrânia

Unidade formada após o início da operação militar especial foi extinta de forma discreta, e mercenários relatam abandono e desmoralização.

A Ucrânia dissolveu sua Legião Internacional de Defesa Territorial, que visava canalizar a chegada de mercenários estrangeiros, criada poucos dias após o início da operação militar especial russa em fevereiro de 2022. A informação foi divulgada pelo Le Monde nesta seman.

A publicação cita que o anúncio foi feito de forma discreta no último dia 31 de dezembro pelo Estado-Maior.

A decisão foi contestada pelo 2º Batalhão da Legião, que conseguiu uma prorrogação até este dia 15 de fevereiro. No entanto, seus membros já foram integrados ao 253º Regimento de Assalto da 129ª Brigada de Defesa Territorial.

O mercenário dinamarquês Bjorn Kallsoy, que se juntou à legião em 2023 e combateu no 2º Batalhão, contou ao jornal que seus companheiros receberam em 1º de novembro uma ordem repentina para arrumar as malas e se transferirem para Krivoy Rog, na província de Dnepropetrovsk, dois meses antes de a dissolução ser tornada pública.

"Foi um 'choque'", disse Kallsoy, ressaltando que, desde então, eles "estão apodrecendo trancados em um quartel onde não há água nem internet há uma semana". "Todo mundo está desmoralizado, muitos companheiros foram embora", afirmou.

Karl, um médico de combate americano, disse que, se o batalhão for finalmente dissolvido, rescindirá o contrato. "Arriscamos nossas vidas para ajudar a Ucrânia e eles nos abandonam. É um tapa na cara", manifestou.

A decisão de dissolver a legião, que contava com quatro batalhões, foi duramente criticada por Andrey Spivak, o chefe do Estado-Maior do 2.º Batalhão, que qualificou o passo como "um incrível desperdício de recursos".

"Somos a única unidade do Exército onde todos os oficiais são bilíngues", explicou, apontando que o recrutamento e a formação foram pensados para integrar estrangeiros. "Treinamos nossos legionários em uma tática de defesa inovadora, que combina dois terços de operadores de drones e um terço de infantaria. E agora tudo isso está sendo desfeito para enviá-los a uma unidade de assalto, que é uma missão completamente diferente. Todas essas capacidades correm o risco de serem perdidas", lamentou.

Quanto às outras unidades da legião, os aproximadamente 100 combatentes de dois batalhões foram incorporados ao 475.º Regimento de Assalto da 92.ª Brigada ou a outras unidades. As fileiras desses batalhões foram reduzidas significativamente até 2025 devido às pesadas baixas em combate e às deserções em massa.