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Investigação mostra que Israel usou em Gaza bombas capazes de evaporar pessoas

Em um único ataque com uma BLU-109, uma bomba de penetração contra bueiros e abrigos, na zona de Al-Mawasi, 22 pessoas evaporaram completamente. A área havia sido declarada anteriormente por Israel como "zona segura" para civis refugiados.
Investigação mostra que Israel usou em Gaza bombas capazes de evaporar pessoasGettyimages.ru / Getty Images

A Defesa Civil de Gaza documentou 2.842 palestinos que "evaporaram" desde outubro de 2023, informou a agência Al Jazeera em uma reportagem desta terça-feira (10). As equipes utilizaram um "método de eliminação" para confirmar os desaparecimentos em locais de ataques.

"Nós entramos na residência escolhida e fazemos uma referência cruzada entre o número de ocupantes conhecidos e os corpos que recuperamos", explicou ao veículo o porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmoud Basal.

"Se uma família nos diz que havia cinco pessoas na casa e só recuperamos três corpos intactos, tratamos os dois restantes como 'evaporados' após uma exaustiva busca que não nos leva a nada além de traços biológicos como respingos de sangue nas paredes ou pequenos fragmentos como escalpos", conclui.

Tecnologia de incineração

O fenômeno se dá devido ao uso sistemático de armas térmicas e termobáricas. Essas bombas geram uma bola de fogo e um vácuo que extingue a matéria orgânica em segundos.

"Para prolongar o período de queima, são adicionados à mistura pós de alumínio, magnésio e titânio", conta o especialista militar russo Vasily Fatigarov. "Isso aumenta a temperatura da explosão para algo entre 2.500 e 3.000 graus Celsius".

O processo transforma tecidos humanos em cinzas.

As bombas utilizadas

A investigação identificou munições fabricadas nos Estados Unidos, como a MK-84, conhecida como "Hammer". Com 900 kg, ela carrega tritonal (uma substância explosiva composta da mistura de TNT e pó de alumínio) e atinge temperaturas superiores a 3.500 °C.

Outro armamento citado é a BLU-109, uma bomba de penetração contra bueiros e abrigos. Ela possui carcaça de aço e detona uma mistura explosiva PBXN-109 após se enterrar no solo.

Além delas, outra arma destacada pela reportagem é a GBU-39. De menor porte, é um míssil de precisão projetado para deixar a estrutura do edifício atingido intacta enquanto destrói tudo o que há lá dentro.

Em um único ataque com a BLU-109 na zona de Al-Mawasi, 22 pessoas evaporaram completamente. A área havia sido declarada anteriormente por Israel como "zona segura" para civis refugiados.

"Um genocídio global"

Segundo a jurista Diana Butty, professora da Universidade de Georgetown, no Catar, "Este é um genocídio global, não apenas israelense".

"Vemos um fluxo contínuo destas armas dos Estados Unidos e da Europa", ela disse durante o Fórum da Al Jazeera, realizado em Doha.

"Eles sabem que essas armas não fazem distinção entre combatentes e crianças, mas ainda assim continuam enviando".

Segundo a jurista, o uso de armas que não são capazes de diferenciar civis de combatentes deve ser considerado um crime de guerra.

Buttu ainda aponta que o mundo todo sabe da posse dessas armas por Israel, mas a "questão é por que é permitido a eles continuar fora do sistema de responsabilização".