O empresário e hoje presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou ao chefe da polícia de Palm Beach, na Flórida, em 2006, para agradecer a investigação contra Jeffrey Epstein e afirmou que a ex-parceira do financista, Ghislaine Maxwell, era "má", segundo um documento do FBI divulgado recentemente, informou o jornal Miami Heralds. O registro consta em um resumo de entrevista realizada em outubro de 2019 com o então chefe da polícia local.
De acordo com o documento, Trump foi "uma das primeiras pessoas a ligar" quando se tornou pública a apuração sobre Epstein. Na conversa, teria dito: "Ainda bem que vocês estão parando com isso", acrescentando que "todo mundo sabia" o que Epstein fazia. Trump também afirmou que se afastou de Epstein ao perceber a presença de adolescentes.
Relato da investigação
O resumo aponta que Trump disse ter expulsado Epstein do clube Mar-a-Lago e afirmou que "pessoas em Nova York sabiam que Epstein era repugnante". No mesmo telefonema, descreveu Maxwell como "operadora de Epstein" e afirmou que ela era "má", pedindo que as autoridades focassem nela.
De acordo com informações publicadas pelo jornal New Work Post, o nome do chefe de polícia aparece suprimido no documento, mas as informações coincidem com dados públicos sobre o responsável pelo caso à época.
Segundo o relato, a polícia de Palm Beach recebeu denúncias sobre Epstein no início dos anos 2000, possivelmente em 2003, e reuniu um amplo conjunto de provas, incluindo casos de abuso sexual envolvendo co-conspiradores.
Ainda conforme o resumo, promotores estaduais consideraram as vítimas "não confiáveis" e o caso não avançou na esfera estadual. O documento integra milhões de arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça relacionados ao caso Epstein.
Epstein se declarou culpado em 2008 por acusações na Flórida envolvendo solicitação de menor e cumpriu 13 meses de prisão. Em julho de 2019, foi preso novamente sob acusações federais de tráfico sexual, mas morreu no mês seguinte enquanto aguardava julgamento.
O documento veio a público horas após Ghislaine Maxwell invocar a Quinta Emenda e se recusar a responder perguntas em um depoimento virtual a portas fechadas no Comitê de Supervisão da Câmara.
Maxwell, que cumpre pena de 20 anos em uma prisão no Texas, teve seu advogado afirmando que ela falaria livremente se recebesse clemência. Segundo o Casa Branca informou que não há nenhuma ação nesse sentido em análise.
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