O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta terça-feira (10) que seu governo restabeleceu contatos técnicos com a Rússia e espera que outros países europeus também o façam, em entrevista ao jornal Tages-Anzeiger.
Ele destacou a jornalistas de diversas agências que a Europa deve retomar os contatos com Moscou porque sua a "situação geográfica não mudará". "Gostemos ou não, a Rússia ainda estará aqui amanhã. Ela está às nossas portas".
Após revelar a reinstauração do diálogo técnico com a Rússia, Macron declarou esperar que seus parceiros façam o mesmo para alcançar "uma abordagem europeia bem organizada".
"Sugeri a vários colegas europeus que retomássemos o diálogo. Para alguns, era muito cedo para enviar seus assessores diplomáticos, como nós fizemos", declarou.
O chefe do Estado francês, por suas palavras, é motivado pela percepção de que a conquista da paz com a Rússia também se reproduzirá em uma situação de paz no continente europeu.
Macron declarou em dezembro que "será útil voltar a conversar com Vladimir Putin". Ele também afirmou que "há pessoas que conversam" com Putin, referindo-se ao presidente americano, Donald Trump.
Sua intenção ganhou contornos de materialidade na terça-feira passada (3), quando o presidente francês afirmou que "está sendo preparada" a retomada do diálogo com Putin "está sendo preparada" e que "há conversas em andamento em nível técnico". O Kremlin confirmou a retomada dos contatos em nível técnico entre os países nesta terça-feira (10), de acordo com o porta-voz Dmitry Peskov.
De volta à mesa central
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, por sua vez, ecoou os clamores de Macron e declarou no início de janeiro que "chegou a hora de a Europa também dialogar com a Rússia". O chanceler alemão, Friedrich Merz, expressou sua esperança de que seja possível uma reconciliação de longo prazo com a Rússia, e enfatizou explicitamente que "é um país europeu", também em janeiro.
A primeira-ministra da Letônia, Evika Silina, e o presidente da Estônia, Alar Karis, apoiaram na última quarta-feira (4) a formação de um mandato europeu para se sentar à mesa de negociações com Moscou.
Por sua vez, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, reagiu ironicamente à posição da Letônia e da Estônia, na quinta-feira (5). "É a mesma ideia de sempre sobre o 'lugar à mesa'. É compreensível: eles já estão cansados de se sentar debaixo da mesa", disse ela.
A Rússia tem reiterado sua disposição para o diálogo. O porta‑voz Dmitry Peskov afirmou em dezembro, em resposta às sinalizações de Macron, que o presidente Putin "está sempre pronto para explicar suas posições aos seus interlocutores em detalhes", mas que qualquer tratativa deve ser baseada em respeito mútuo. "Não deve ser um diálogo em que cada um tente dar lições ao outro. Deve ser um diálogo em que se procure compreender as posições de cada um", completou.