
Macron volta a criticar acordo entre UE e Mercosul: 'mau negócio'

Em entrevista divulgada nesta terça-feira (10) pelo jornal suíço Tages-Anzeiger, o presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a criticar o acordo da UE com o Mercosul: "É um mau negócio. A estratégia é boa, o sinal geopolítico é correto. Mas o problema com o Mercosul é que o tratado é muito antigo".

Segundo o presidente francês, a nova geração de tratados comerciais deve priorizar o respeito ao Acordo de Paris sobre o Clima e incluir cláusulas de reciprocidade que garantam a aplicação das mesmas normas e exigências a todos os produtores, independentemente de sua origem. Essa medida é essencial para assegurar uma competição justa e equitativa, explicou Macron, enfatizando que, "para tornar a Europa uma potência, precisamos de proteção".
"Não me refiro ao protecionismo, mas sim a dar preferência aos produtos europeus", afirmou Macron.
25 ANOS DE NEGOCIAÇÃO: ENTENDA O QUE MUDA COM ACORDO MERCOSUL
Garantias adicionais
Os membros do Parlamento Europeu votaram nesta terça-feira (10) a favor de garantias adicionais para evitar danos ao setor agrícola da UE que virão como consequência do acordo comercial com os países do Mercosul. O novo regulamento foi aprovado por 483 votos a favor, 102 contra e 67 abstenções.
A iniciativa estabelece as condições sob as quais o bloco europeu pode suspender temporariamente as isenções tarifárias para importações de produtos agrícolas de países do Mercosul caso um aumento acentuado prejudique os produtores da UE.
Mais de 25 anos de negociação
As negociações para o acordo foram oficialmente iniciadas em 1999, na Cúpula do Rio, mas suas raízes de idealização são ainda mais antigas. As negociações, porém, logo encontraram os pontos sensíveis, com a Europa defendendo seus subsídios agrícolas e barreiras sanitárias, enquanto o Mercosul pedia maior acesso para seus produtos agropecuários.
Em maio de 2016, a UE e o Mercosul relançaram o processo de negociação. O marco importante veio em junho de 2019, com o anúncio de um acordo de princípio após 20 rodadas de negociação. A conclusão das negociações ocorreu em 2024, iniciando o complexo processo de ratificação pelos parlamentos nacionais de todas as partes envolvidas.
Resistência europeia
Um dos principais fatores que dificultaram a conclusão do acordo comercial veio do setor agrícola europeu. Durante as negociações no Parlamento Europeu no curso do ano passado, confrontos violentos entre a polícia e os produtores foram registados dias antes em frente às instalações do bloco em Bruxelas, capital da Bélgica.
As manifestações seguem neste ano. Durante mobilização organizada em 13 de janeiro pela FNSEA, uma das maiores entidades sindicais do setor agrícola francês, participantes do protestos francês afirmam que o tratado pode gerar concorrência desleal. O impacto seria especialmente pronunciado no setor de carnes, ao permitir a entrada de produtos da América Latina que, segundo eles, não estão sujeitos às mesmas exigências ambientais impostas aos produtores europeus.

