A Rússia passará a integrar o corredor multimodal China–Brasil, iniciativa de transporte transcontinental articulada no âmbito do BRICS, informou o portal Russia's Pivot to Asia na segunda-feira (9).
O projeto foi formalizado a partir de um acordo assinado em Brasília entre o Ministério dos Transportes do Brasil, o Ministério dos Transportes da China e o China State Railway Group, que estabelece o desenvolvimento do corredor ferroviário-marítimo Brasil–Peru–Oceano Pacífico–China no período de 2025 a 2028.
O acordo prevê a operação regular da rota e a consolidação de uma estrutura logística voltada à integração econômica entre os países do bloco.
O plano inclui a construção de uma ferrovia de cerca de 500 quilômetros ligando a região de fronteira entre Brasil e Peru ao porto de Chancay, próximo à capital peruana. O projeto conta com financiamento parcial da China em condições preferenciais e tem entrada em operação prevista para 2028.
Segundo o secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, a ligação ferroviária ao Pacífico deve reduzir em cerca de dez dias o tempo de entrega de produtos brasileiros à Ásia.
A modernização do porto de Chancay permitirá a operação de embarcações de grande capacidade e reduzirá para 20 dias o tempo de transporte de cargas entre a China e a costa pacífica da América do Sul.
O corredor também se conecta a portos brasileiros no Atlântico, especialmente no Nordeste, funcionando como elo entre o Atlântico, o Pacífico e a Ásia-Pacífico.
Comércio bilateral
A Rússia agrega ao projeto acesso logístico tanto ao Pacífico, por Vladivostok, quanto ao Atlântico, por São Petersburgo. A empresa russa FESCO lançou, no segundo semestre de 2025, uma linha marítima regular entre Rússia e Brasil.
De acordo com o vice-presidente do grupo para a divisão de transporte marítimo e logística, German Maslov, trata-se de uma rota transatlântica voltada ao transporte de diversos tipos de carga para portos brasileiros no Atlântico.
Outras ligações logísticas incluem rotas entre Vladivostok e Chancay, além de conexões envolvendo Rússia, China, Peru e Brasil.
Em 2025, o comércio bilateral entre Rússia e Brasil alcançou 11 bilhões de dólares, com a Rússia ocupando a oitava posição entre os principais parceiros comerciais do Brasil. Para 2026, a projeção indicada no acordo aponta crescimento do intercâmbio, com aumento equilibrado de exportações e importações.
O texto também menciona operações de reexportação entre Rússia, Brasil e China, realizadas por meio de cadeias logísticas que incluem países parceiros do BRICS, como o Cazaquistão, além do interesse brasileiro no uso da Rota do Mar do Norte para ampliar exportações ao mercado russo.