O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o presidente da França, Emmanuel Macron, durante entrevista concedida à emissora francesa CNews, na segunda-feira (9).
Outros veículos de imprensa da França identificam a emissora por sua tendência à promoção da ideias conservadoras e ligadas ao campo político da direita.
Farpas ao Planalto
Flávio abordou temas da política brasileira e internacional durante sua fala ao jornal. Ao comentar investigações envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o senador citou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
"O Brasil passa hoje por graves acusações de roubo de aposentados do nosso sistema previdenciário, sendo que é acusado de desviar dinheiro o próprio filho do presidente Lula", declarou o senador.
- Informações divulgadas à Veja pelo presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), indicaram que Lulinha é citado em investigações, mas não é um dos alvos da PF neste momento.
- O lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", teria contratado Lulinha para exercer sua influência em contratos públicos na área da saúde, mas ainda não há esclarecimentos se a prática se estendeu para a previdência.
Críticas a Moraes
Questionado por um dos apresentadores sobre sanções impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao ministro Alexandre de Moraes, posteriormente revogadas, Flávio afirmou que o magistrado foi alvo das medidas por ser, segundo ele, um "grande violador de direitos humanos".
O senador também acusou Moraes de perseguição a empresas e cidadãos americanos e voltou a afirmar que o Brasil vive um cenário de fragilidade institucional.
"É muito importante que todos os franceses tenham conhecimento de que o Brasil hoje não vive uma democracia plena. O presidente Bolsonaro foi condenado por seus próprios inimigos", disse, ao mencionar repetidas vezes o ministro do STF.
'Extremamente incompetente'
Na avaliação de Flávio Bolsonaro, tanto o Brasil quanto a França deveriam eleger "novos presidentes" no próximo ciclo eleitoral. Ao comentar o cenário político francês, o senador classificou o governo de Emmanuel Macron como "extremamente incompetente" e afirmou esperar que o povo francês eleja um presidente que "resgate os princípios cristãos".
Segundo ele, a França "não aguenta mais" a atual gestão, assim como o Brasil não suportaria, em sua visão, um novo mandato de um governo de "extrema-esquerda".
"Eu acho que o presidente Macron tem feito um péssimo governo. Pelo que ouço, os franceses estão contando os minutos para o fim do mandato de Macron", afirmou.
Flávio também acusou Macron de ter visitado o Brasil "apenas para tirar fotos abraçando árvores na Amazônia". O presidente francês esteve em Belém em duas ocasiões, em 2024, quando foi fotografado ao lado de Lula na região amazônica, além de participar da COP30, realizada na capital paraense no ano passado.
Ao comparar os governos, o senador afirmou ainda que a preservação ambiental foi maior durante a gestão de Jair Bolsonaro. "A região amazônica foi preservada durante o governo do presidente Bolsonaro, e agora no atual governo do presidente Lula a Amazônia sofreu três anos consecutivos de recorde de queimadas", complementou.
Área queimada na Amazônia por km², segundo o Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE):
- 2016 (transição Dilma-Temer): 131.796
- 2017 (governo Temer): 163.362
- 2018 (governo Temer): 95.845
- 2019 (governo Bolsonaro): 131.458
- 2020 (governo Bolsonaro): 146.520
- 2021 (governo Bolsonaro): 100.761
- 2022 (governo Bolsonaro): 150.626
- 2023 (governo Lula): 154.938
- 2024 (governo Lula): 223.982
- 2025 (governo Lula): 96.009