Chanceler russo mantém cautela sobre negociações de paz para o conflito ucraniano

Apesar de se aproximarem de um acordo no Alasca, os EUA intensificaram medidas contra a Rússia e foram instigados por europeus, afirma Sergey Lavrov.

O chanceler russo, Sergey Lavrov, advertiu nesta terça-feira (10) que não se criem expectativas sobre as ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltadas a encerrar o conflito russo-ucraniano, já que ainda não houve um acordo final.

"Já estávamos perto de um acordo no Alasca", apontou Lavrov em entrevista ao canal russo NTV, referenciando a Cúpula de Anchorage, que reuniu Trump e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em agosto do ano passado.

"Bastaria um simples anúncio e muitas questões seriam resolvidas muito mais rapidamente. Mas, infelizmente, o tempo passa e, nesse meio tempo, a Europa e Zelensky tentam confundir as coisas, para dizer o mínimo."

O chanceler russo destacou que permanece o espírito de cooperação mutuamente benéfica com os EUA, assinalando discussões vigentes em torno do Ártico, hidrocarbonetos e alta tecnologia, como exemplo da potencialidade das relações bilaterais russo-americanas.

"Mas se analisarmos as medidas práticas tomadas em relação à Rússia, [...] estamos caminhando na direção errada", ressalvou Lavrov. De acordo com o chanceler, as sanções dos EUA contra a Rússia não apenas permanecem, como projetos estrangeiros de petrolíferas russas foram proibidos e os contatos diretos dos EUA com compradores de combustível russo foram intensificados para dissuadir parcerias.

"Só quero dizer mais uma vez, já falamos sobre isso muitas vezes, não devemos cair em uma percepção otimista demais sobre o que está acontecendo", alertou.

O fato que o governo Trump colocou a Europa e Zelensky "em seus devidos lugares" é efetivamente um fator positivo no objetivo de "alcançar a paz na Ucrânia", segundo Lavrov. "Mas ainda não chegamos a esse ponto", acrescentou, ressaltando que as negociações continuam e "ainda há um longo caminho a percorrer".