
'Neta de nazista': Zakharova denuncia a presidência de Assembleia Geral da ONU na tentativa ocidental de reescrever a história

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou, em uma entrevista à revista russa KP nesta terça-feira (10), que a eleição da ex-ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, como presidente da Assembleia Geral da ONU em 2025 visa "apagar a memória" da Grande Guerra Patriótica e dos crimes do nazismo.

"Falsificando a história, apagando os fatos e, mais ainda, recorrendo repetidamente às práticas do nazismo", o Ocidente deliberadamente reescreve o consenso da derrota do Terceiro Reich, segundo Zakharova, reabilitando as expressões contemporâneas do fascismo e estimulando a russofobia no continente, de maneira simultânea ao apagamento do legado soviético da Vitória.
A porta-voz, apontou para a liderança das Nações Unidas como uma camada adicional dessa contradição histórica.
"Elegeram a neta de um oficial nazista da Wehrmacht, uma política semianalfabeta [...] da Alemanha, como presidente da Assembleia Geral da ONU", denunciou.
De família
Baerbock assumiu o cargo em setembro de 2025, sendo a primeira mulher europeia a ocupar a posição. Ela integrou o Partido Verde da Alemanha e exerceu o cargo de ministra das Relações Exteriores no governo do ex-chanceler Olaf Scholz.
"A ONU não foi criada para levar a humanidade ao paraíso, mas para salvá-la do inferno. É um lembrete poderoso", proferiu Baerbock em seu discurso de posse. "Esta organização foi fundada sobre as cinzas da Segunda Guerra Mundial. Entretanto, a resposta aos horrores da guerra foi uma visão comum, não o paraíso, mas uma visão de esperança."
A presidente, entretanto, tem laços familiares com os responsáveis pelos "horrores de guerra" sobre os quais foi erguida a cadeira que ocupa. Em seu primeiro livro, publicado em 2021, ela reconheceu que seu avô Waldemar Baerbock "era um oficial da Wehrmacht em uma unidade de reparo de canhões antiaéreos".
A imprensa alemã revelou que o coronel Baerbock não era apenas um oficial, mas um "fervoroso" partidário do nazismo, "um nacional-socialista incondicional", de acordo com seu arquivo na Wehrmacht. Segundo os relatos, ele tinha lido atentamente várias vezes o livro Mein Kampf (Minha Luta), de Adolf Hitler, e era "completamente fundamentado no nacional-socialismo". Além disso, em 1944, o avô de Baerbock recebeu a Cruz de Mérito de Guerra, uma condecoração nazista por "serviços especiais" em tempos de guerra.
Apagamento deliberado
A porta-voz da chancelaria russa sublinha a representação da presidência de Baerbock no contexto de antagonização à Rússia e remilitarização do continente europeu.
"É claro que fizeram isso de propósito, para esquecer, para apagar o passado, para mostrar que tudo isso — incluindo 27 milhões de nossos compatriotas mortos, as cidades destruídas, Leningrado, Kiev com Babi Yar e Stalingrado, os campos de concentração e as tentativas de genocídio do povo soviético — pertence ao passado", acrescentou.
Zakharova ressaltou que essa tentativa não terá sucesso. "Eles não levaram em conta que em cada família nossa há um retrato de um combatente em um álbum ou em uma estante. Nunca vamos esquecer isso".

