
Lavrov: 'As negociações sobre a Ucrânia continuam, mas ainda há um longo caminho a percorrer'

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou em entrevista que ainda há um longo caminho para se alcançar um acordo sobre a Ucrânia, ao mesmo tempo em que pediu cautela para não supervalorizar a postura de Washington.

"Dissemos repetidamente que não devemos nos deixar levar pelo entusiasmo com o que está acontecendo: que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, 'colocou no lugar' os europeus e [o líder do regime de Kiev] Vladimir Zelensky, exigindo que cumpram suas promessas", declarou Lavrov em entrevista ao canal russo NTV. “Tudo isso é muito bom se quisermos alcançar a paz na Ucrânia, mas ainda não chegamos a esse ponto”, acrescentou.
Nesse contexto, o chefe da diplomacia russa afirmou que "as negociações continuam", citando a segunda rodada ocorrida em Abu Dhabi, mas alertou que "ainda há um longo caminho a percorrer".
O abuso do dólar
Lavrov também destacou que a liderança da Rússia no mercado mundial de energia nuclear representa um desafio para os Estados Unidos, que, segundo o ministro, tenta mudar essa situação.
"Nos países onde já temos projetos e experiência, incluindo nossos vizinhos e vários países europeus, os americanos estão trabalhando para recalibrar a energia conforme seus próprios padrões. E não escondem isso", disse Lavrov. "Sem falar nas sanções e tarifas, que disparam para países que não seguem os EUA sobre como devem trabalhar com a Federação Russa", completou.
O chanceler russo reforçou que a posição da Rússia segue as diretrizes do presidente Vladimir Putin, sempre baseada nos interesses nacionais. "Não aceitamos os métodos de guerras comerciais, econômicas e monetárias, porque o abuso do dólar continua em escala sem precedentes. O mais importante é que os americanos não sentem vergonha disso", afirmou.
Lavrov ainda mencionou a atuação ativa do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ao condenar países ou implementar sanções. Ele lembrou que Bessent declarou recentemente que as ações dos EUA para cortar completamente o fluxo de dólares para o Irã provocaram protestos em massa e mortes, e que o secretário estaria "orgulhoso disso", concluiu o chanceler.
