O embaixador da Rússia na Venezuela, Sergey Melik-Bagdasarov, explicou qual é o 'modus operandi' dos países ocidentais para perpetuar suas políticas extrativistas e "neocoloniais" no mundo, através do descredito a Moscou.
Em entrevista exclusiva à RT, o diplomata ressaltou que o empenho que políticos e até chefes de Governo ocidentais têm em apostar na "diplomacia de megafones" para atacar qualquer aliança com a Rússia "é apenas uma forma de competição injusta", que busca beneficiar seus aparatos econômicos extrativistas e "criar condições favoráveis para as companhias provenientes de [seus] países".
Melik-Bagdasarov alerta que a prática obedece a uma visão "neocolonial", cujo objetivo final é excluir a Rússia de qualquer cenário para que as companhias ocidentais tenham "o privilégio de trabalhar ou de roubar" em qualquer nação.
Referindo-se particularmente ao caso da Venezuela, o embaixador reagiu à apreensão ilegal de navios que transportavam petróleo bruto venezuelano pelo governo dos EUA. "É a mesma coisa, é pirataria", denunciou.
Controle no hemisfério
"Eu disse à China e à Rússia: 'Nós nos damos muito bem com vocês. Nós os apreciamos muito. Não os queremos lá'", foram as palavras do presidente americano, Donald Trump, durante uma reunião com executivos da indústria de petróleo e gás na Casa Branca para discutir possíveis planos para Caracas, em 9 de janeiro.
A imposição de força contra a indústria petrolífera da Venezuela foi reafirmada pelo vice-presidente americano, J.D. Vance, em uma entrevista dias antes. "Controlamos os recursos energéticos. E dizemos ao 'regime': 'Vocês têm o direito de vender o petróleo enquanto isso servir aos interesses nacionais dos EUA. Vocês não podem vendê-lo se isso não servir aos interesses nacionais dos EUA'."
Por sua vez, Moscou expressou sua "disposição em continuar fornecendo o apoio necessário à Venezuela, país amigo" após o ataque americano. A Rússia defende "firmemente" que seja garantido ao país sul-americano "o direito de determinar seu próprio destino sem qualquer tipo de interferência destrutiva do exterior".
Similarmente, a posição da China enfatizou a condenação ao plano inaceitável de controle do petróleo venezuelano e à tentativa de subordinar as relações políticas e comerciais da América Latina ao governo americano. "Os países latino-americanos são nações soberanas e independentes, com direito a escolher seus parceiros [comerciais] por conta própria", disse a porta-voz da chancelaria chinesa, Mao Ning.
Agressão dos EUA e sequestro de Maduro
Sob alegações "combate o narcoterrorismo", os EUA lançaram, no dia 3 de janeiro, uma agressão militar maciça em território venezuelano, que afetou Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira.
A operação terminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, que foram levados para Nova York. Os locais atacados eram principalmente de interesse militar, embora também tenham sido atingidas áreas urbanas e houvesse vítimas civis.
Caracas classificou as ações de Washington como uma "grave agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
Muitos países do mundo, entre eles a Rússia e a China, pediram a libertação de Maduro e da primeira-dama. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa.