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Irã: estamos preparados para responder a qualquer 'erro estratégico' dos EUA com golpes 'pesados'

O porta-voz das Forças Armadas iranianas lançou uma advertência aos EUA e a Israel: se cometerem "outro erro", a resposta será "muito mais decisiva" do que na "guerra dos 12 dias".
Irã: estamos preparados para responder a qualquer 'erro estratégico' dos EUA com golpes 'pesados'Gettyimages.ru / Anadolu

O general de brigada Abolfazl Shekarchi, porta-voz das Forças Armadas iranianas, afirmou que o Irã não se submeterá à pressão nem às exigências dos Estados Unidos enquanto mantém negociações com Washington.

Em entrevista à Press TV nesta segunda-feira (9), Shekarchi destacou a coordenação e unidade dos aparatos militar e diplomático iranianos, e incentivou a equipe negociadora a continuar as conversas "com firmeza", já que contam com o apoio da nação e das Forças Armadas. Ao mesmo tempo, advertiu: "Nós, como Forças Armadas do Irã, estamos preparados para qualquer plano que os Estados Unidos possam tramar contra nosso país e responderemos de forma adequada, no momento oportuno".

Quanto ao nível de organização militar, o porta-voz afirmou que a capacidade da República Islâmica para responder aos movimentos de seus inimigos encontra-se em "um nível muito alto". Desde a chamada "guerra dos 12 dias", explicou, as Forças Armadas aumentaram sua prontidão para enfrentar qualquer "erro estratégico" dos adversários e hoje se encontram em um grau de preparação "ainda maior" do que antes.

Shekarchi mandou um alerta direto aos Estados Unidos e a Israel: se cometerem "outro erro", a resposta será "muito mais decisiva" e "a geografia da guerra se ampliará". "Ampliaremos nossos objetivos para além dos da 'guerra dos 12 dias' e de seus interesses econômicos. Criaremos problemas econômicos para os Estados Unidos", previu, acrescentando que qualquer país que se junte a um eventual "equívoco estratégico" contra o Irã será incluído na lista de alvos. Recordou que, no conflito anterior, "receberam golpes muito duros da parte iraniana" e assegurou que, caso uma agressão se repita, "desta vez serão muito, mas muito mais pesados".

O general sustentou que os adversários da República Islâmica travam uma guerra psicológica para intimidar a opinião pública iraniana, esforços que, segundo ele, fracassaram. "Não buscamos a guerra. Nunca quisemos iniciar uma guerra na região e, se uma guerra começar, será em prejuízo de toda a região", concluiu.

Conversas em meio a fortes tensões

As tensões entre EUA e Irã escalaram no início de janeiro após a ameaça do presidente americano, Donald Trump, de uma intervenção militar, alegando inicialmente os protestos internos no Irã. Embora as manifestações tenham cessado, Washington manteve a pressão, direcionando seu argumento para os programas nuclear e de mísseis de Teerã.

Na sexta-feira, foi realizada em Mascate, Omã, a primeira jornada de contatos indiretos entre EUA e Irã sobre a questão nuclear. As consultas ocorreram de forma separada, com o ministro das Relações Exteriores da República Islâmica, Seyed Abbas Araghchi, e o enviado especial da Casa Blanca, Steve Witkoff, reunindo-se por turnos com o chanceler omani, Badr bin Hamad Al Busaidi, que atuou como mediador.

Trump qualificou os diálogos como "muito positivos" e garantiu que "o Irã parece muito interessado em chegar a um acordo".

Por sua vez, Araghchi também descreveu o ambiente como "positivo" e confirmou a vontade de manter o canal de diálogo aberto. No entanto, o Irã rejeitou categoricamente uma das principais exigências de Washington: interromper o enriquecimento de urânio. Além disso, assinalou que Washington tem duas opções em relação ao seu país. "Ontem disse aos negociadores americanos que eles têm duas opções em relação a nós: a primeira é a guerra e a segunda é a diplomacia", indicou Seyed Abbas Araghchi.

"Nossa opção é a diplomacia, mas estamos preparados para ambas, inclusive mais do que da última vez", sublinhou, referindo-se aos ataques lançados em junho de 2025 por Israel e pelos EUA contra a infraestrutura nuclear da nação persa.