
Disputa por guarda de filho de brasileira mobiliza chanceleres de Brasil e Egito

A disputa pela guarda do filho da brasileira Karin Aranha ganhou contornos de impasse diplomático. O Itamaraty informou, nesta segunda-feira (9), na rede social X que o ministro Mauro Vieira telefonou para o chanceler egípcio, Badr Abdelatty, para tratar especificamente do caso, levando a questão para a esfera direta das relações exteriores.
O contato ministerial busca destravar o cumprimento de uma sentença que já favorece a brasileira. Karin luta para recuperar o filho desde setembro de 2022, quando o pai, o egípcio Ahmed Tarek, retirou o menino de Valinhos (SP) e viajou para o seu país de origem sem o consentimento da mãe.
Segundo o portal G1, Karin obteve uma vitória decisiva em novembro de 2025. O Tribunal de Apelações do Cairo reverteu decisões de primeira instância e concedeu a guarda à mãe, apontando que as alegações usadas anteriormente pelo pai para afastá-la eram baseadas em boatos.
Impasses jurídicos
Apesar da decisão judicial, a criança ainda não foi entregue à mãe. A sentença tornou-se executável em janeiro de 2026, autorizando o uso de força policial para a busca e apreensão do menor, mas a resistência do pai em cumprir a ordem mantém o impasse.

A intervenção direta do chanceler brasileiro reflete a dificuldade jurídica do caso, uma vez que o Egito não é signatário da Convenção de Haia sobre sequestro internacional de crianças. A ausência desse tratado obriga o Brasil a concentrar esforços na tramitação diplomática e política, em vez de canais automáticos de cooperação jurídica.
Para tentar reaver o filho, Karin mudou-se para o Egito, onde vive sem permissão de trabalho e depende de doações. Conforme relatado ao G1, ela chegou a se converter ao Islã para desmontar argumentos da defesa do ex-marido de que ela representaria risco à formação religiosa da criança.
Com a entrada da alta cúpula diplomática na negociação, o governo brasileiro aumenta a pressão para que as autoridades locais façam valer a própria decisão judicial do Egito. O objetivo central é garantir a segurança jurídica da mãe e o retorno efetivo da criança à sua guarda.
