
Starmer se pronuncia sobre escândalo que abala seu governo pelo caso Epstein

O governo do Reino Unido deve seguir em frente e "demonstrar que a política pode ser uma força do bem", afirmou nesta segunda-feira (9) o primeiro-ministro britânico Keir Starmer. A declaração veio depois que dois de seus assessores renunciaram após o escândalo envolvendo o notório pedófilo americano Jeffrey Epstein, segundo informou a agência Reuters.
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"Devemos demonstrar que a política pode ser uma força do bem. Eu acredito que pode ser. Eu acredito que é. Vamos seguir em frente a partir daqui. Avançamos com confiança enquanto continuamos a mudar o país", disse o político.

O diretor de comunicações de Starmer, Tim Allan, renunciou ao cargo nesta segunda-feira (9) "para permitir a formação de uma nova equipe no número 10 [da Downing Street, sede do gabinete do primeiro-ministro]".
A demissão ocorre um dia depois que o chefe de gabinete de Starmer, Morgan McSweeney, renunciou por seu papel na nomeação de Peter Mandelson como embaixador do Reino Unido em Washington, que consta nos arquivos do falecido criminoso sexual.
McSweeney apresentou sua renúncia assumindo "total responsabilidade" por ter aconselhado o primeiro-ministro a nomear Mandelson como embaixador, apesar dos conhecidos laços que mantinha com Epstein.
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Por sua vez, Mandelson, demitido em setembro de 2025, renunciou ao Partido Trabalhista há uma semana, após novas revelações sobre sua amizade com Epstein. "Não desejo causar mais vergonha ao Partido Trabalhista e, portanto, renuncio à minha filiação ao partido", afirmou em uma carta.
De acordo com uma investigação, Mandelson é acusado de ter passado a Epstein e-mails de Downing Street sobre propostas de política fiscal em 2009, enquanto era membro do gabinete do ex-primeiro-ministro Gordon Brown.
Os documentos divulgados também revelaram que o financista havia transferido US$ 75 mil (cerca de R$ 390 mil) para o ex-embaixador. Além disso, estão incluídas mensagens de 2009 em que Mandelson, então ministro dos Negócios, assegurava a Epstein que estava se esforçando para mudar a política governamental sobre os bônus dos banqueiros, conforme solicitado pelo financista.
Enquanto isso, os adversários de Starmer e até mesmo membros de seu partido ressaltam que o caso Epstein deixa em aberto o futuro do próprio primeiro-ministro.

