O gabinete de segurança de Israel aprovou no domingo (8) medidas abrangentes para expandir seus poderes na Cisjordânia ocupada, facilitando a compra de terras por colonos israelenses e aumentando o controle sobre áreas sob administração palestina. A decisão visa remover barreiras e revogar legislações consideradas discriminatórias, segundo o Ministro de Finanças de Israel, Bezalel Smotrich.
Essas medidas incluem a publicação de registros de terras — permitindo que compradores em potencial identifiquem proprietários palestinos — e a revogação de leis que restringiam a compra de imóveis por judeus na região.
As medidas também transferirão a autoridade sobre licenças de construção de áreas palestinas para Israel, incluindo a cidade de Hebron, e aumentarão a supervisão israelense sobre as áreas "A" e "B" [sinalizadas em amarelo e marrom no mapa abaixo, respectivamente].
Smotrich afirmou que a medida tem como objetivo "enterrar a ideia de um Estado terrorista Árabe", em referência à solução de criação de um Estado Palestino para o fim de conflito.
Repercussão negativa
Críticos alertam que estas ações podem levar a uma maior anexação de fato da Cisjordânia.
A decisão israelense foi amplamente condenada internacionalmente. A União Europeia classificou a medida nesta segunda-feira (9) como um "passo em direção errada", enquanto diversos países muçulmanos, incluindo aliados e adversários de Israel, a denunciaram como ilegal e uma "escalada perigosa".
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, condenou a decisão, considerando-a ilegal e exigindo a intervenção dos Estados Unidos e da ONU para impedir sua implementação. Citado pelo jornal The Times of Israel, o grupo palestino Hamas apelou à intensificação da resistência e pediu a países árabes e muçulmanos que rompam relações com Israel.
A ONG israelense Peace Now reiterou a condenação, avaliando o pacote de medidas como "perigoso e irresponsável", ressaltando a violação de normas internacionais.
"Netanyahu prometeu derrubar o Hamas em Gaza, mas na prática optou por derrubar a Autoridade Palestina", afirmou a organização. "Este é um governo extremista e irresponsável que nos arrasta para o desastre. Todas as forças democráticas em Israel devem agir agora, de todas as formas possíveis, para impedir isso!"
Segundo a agência de notícias Jordan News, a Autoridade Palestina apresentou nesta segunda-feira (9) um pedido urgente para a convocação de uma sessão extraordinária do Conselho da Liga Árabe, por meio da representação do Embaixador Muhannad Al-Aklouk.
Escalada colonial
A aprovação das medidas ocorre em um momento de tensões crescentes e de aumento da violência na região.
A agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) publicou nesta segunda-feira um apelo emergencial para o ano de 2026, buscando arrecadar US$ 1,26 bilhão (cerca de R$ 6,5 bilhões) para os Territórios Ocupados, com o objetivo de "responder a uma das crises humanitárias mais graves e prolongadas da história recente."
Analistas apontam ao jornal catari Al Jazeera que a situação política atual dos palestinos é delicada, com falta de liderança e desgaste devido ao conflito em Gaza, o que pode levar alguns a vender suas terras, acelerando a expansão de assentamentos israelenses.
O anúncio das medidas ocorre poucos dias antes de uma visita do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aos Estados Unidos, onde ele se reunirá com o presidente Donald Trump na quarta-feira (11) para discutir as tensões com o Irã.