
Israel aprova medidas para acelerar anexação da Cisjordânia Ocupada

O gabinete de segurança de Israel aprovou no domingo (8) medidas abrangentes para expandir seus poderes na Cisjordânia ocupada, facilitando a compra de terras por colonos israelenses e aumentando o controle sobre áreas sob administração palestina. A decisão visa remover barreiras e revogar legislações consideradas discriminatórias, segundo o Ministro de Finanças de Israel, Bezalel Smotrich.

Essas medidas incluem a publicação de registros de terras — permitindo que compradores em potencial identifiquem proprietários palestinos — e a revogação de leis que restringiam a compra de imóveis por judeus na região.
As medidas também transferirão a autoridade sobre licenças de construção de áreas palestinas para Israel, incluindo a cidade de Hebron, e aumentarão a supervisão israelense sobre as áreas "A" e "B" [sinalizadas em amarelo e marrom no mapa abaixo, respectivamente].

Smotrich afirmou que a medida tem como objetivo "enterrar a ideia de um Estado terrorista Árabe", em referência à solução de criação de um Estado Palestino para o fim de conflito.
Repercussão negativa
Críticos alertam que estas ações podem levar a uma maior anexação de fato da Cisjordânia.
A decisão israelense foi amplamente condenada internacionalmente. A União Europeia classificou a medida nesta segunda-feira (9) como um "passo em direção errada", enquanto diversos países muçulmanos, incluindo aliados e adversários de Israel, a denunciaram como ilegal e uma "escalada perigosa".
Joint Statement The Foreign Ministers of the Hashemite Kingdom of Jordan, the United Arab Emirates, the Republic of Indonesia, the Islamic Republic of Pakistan, the Republic of Türkiye, the Kingdom of Saudi Arabia, the State of Qatar and the Arab Republic of Egypt condemned in… pic.twitter.com/GrHLH5pzJY
— وزارة الخارجية وشؤون المغتربين الأردنية (@ForeignMinistry) February 9, 2026
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, condenou a decisão, considerando-a ilegal e exigindo a intervenção dos Estados Unidos e da ONU para impedir sua implementação. Citado pelo jornal The Times of Israel, o grupo palestino Hamas apelou à intensificação da resistência e pediu a países árabes e muçulmanos que rompam relações com Israel.
A ONG israelense Peace Now reiterou a condenação, avaliando o pacote de medidas como "perigoso e irresponsável", ressaltando a violação de normas internacionais.
"Netanyahu prometeu derrubar o Hamas em Gaza, mas na prática optou por derrubar a Autoridade Palestina", afirmou a organização. "Este é um governo extremista e irresponsável que nos arrasta para o desastre. Todas as forças democráticas em Israel devem agir agora, de todas as formas possíveis, para impedir isso!"
Segundo a agência de notícias Jordan News, a Autoridade Palestina apresentou nesta segunda-feira (9) um pedido urgente para a convocação de uma sessão extraordinária do Conselho da Liga Árabe, por meio da representação do Embaixador Muhannad Al-Aklouk.
Escalada colonial
A aprovação das medidas ocorre em um momento de tensões crescentes e de aumento da violência na região.
A agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) publicou nesta segunda-feira um apelo emergencial para o ano de 2026, buscando arrecadar US$ 1,26 bilhão (cerca de R$ 6,5 bilhões) para os Territórios Ocupados, com o objetivo de "responder a uma das crises humanitárias mais graves e prolongadas da história recente."
Analistas apontam ao jornal catari Al Jazeera que a situação política atual dos palestinos é delicada, com falta de liderança e desgaste devido ao conflito em Gaza, o que pode levar alguns a vender suas terras, acelerando a expansão de assentamentos israelenses.
O anúncio das medidas ocorre poucos dias antes de uma visita do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aos Estados Unidos, onde ele se reunirá com o presidente Donald Trump na quarta-feira (11) para discutir as tensões com o Irã.
⚡ Urgently needed: humanitarian assistance, following more than 2 years of war.💰 Funding required: US$ 1.26 billion👩👩👧👦 Serving 2.4 million peopleThe #Gaza Strip and the occupied #WestBank, including East Jerusalem, are facing one of the gravest, protracted humanitarian… pic.twitter.com/KrKvQWc2uP
— UNRWA (@UNRWA) February 9, 2026


