O dólar está apresentando uma significativa desvalorização em relação a outras moedas principais do mundo, e essa tendência também se reflete na sua participação cada vez menor nas reservas globais dos bancos centrais.
Nos últimos 12 meses, a moeda perdeu cerca de 10% do seu valor em relação a outras moedas, informou o jornal The Economist na quinta-feira (5). A publicação aponta que as ações americanas denominadas em euros praticamente não subiram no último ano. Além disso, a política tarifária do presidente Trump está levando investidores a abandonarem em massa os ativos americanos, resultando em uma queda no valor de títulos, ações e da própria moeda.
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Um horizonte de decadência
A hegemonia do dólar como moeda de reserva internacional vem se enfraquecendo nas duas últimas décadas, definindo perspectivas pessimistas para seu papel futuro no sistema financeiro global.
A Bloomberg destaca que a participação do dólar nas reservas dos bancos centrais diminuiu significativamente nos últimos 20 anos. Enquanto em 2001 o dólar americano representava 72,7% das reservas globais, em 2025 essa porcentagem caiu para 56,3%.
Estimativas do banco Morgan Stanley avaliam que a desvalorização da moeda americana durante o primeiro semestre de 2025 foi a maior em mais de 50 anos, desde 1973. Segundo analistas do banco, a moeda americana poderá desvalorizar mais 10% até o final de 2026.
Uma análise da ABC News publicada no sábado (7) revela que a desvalorização do dólar poderá resultar em bens mais caros para os cidadãos americanos e em maiores despesas com viagens e compras no exterior.
Segundo a instituição financeira J.P. Morgan, isso se deve a dois motivos. O primeiro está relacionado à polarização interna nos Estados Unidos, que aumenta os riscos de desestabilização do sistema de governança. O segundo motivo é a crescente confiança em outras moedas.