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Senado debate penas mais rígidas para combater maus-tratos a animais

Propostas legislativas buscam elevar o tempo de reclusão e os valores das multas para agressores.
Senado debate penas mais rígidas para combater maus-tratos a animaisFabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Na sexta-feira (6), o Senado Federal estabeleceu como pauta prioritária a análise de projetos que endurecem a legislação contra maus-tratos a animais, segundo informou a Agência Senado. A medida vem como resposta à comoção nacional e internacional gerada pelo caso do cão Orelha, que foi espancado e morto na Praia Brava, em Florianópolis.

Senadores defendem que as sanções atuais para atos infracionais dessa natureza são insuficientes para coibir os atos de violência.

Entre as propostas em tramitação, destacam-se o PLS 470/2018, do senador Randolfe Rodrigues, e o PL 4.363/2025, do senador Humberto Costa (PT-PE). Os textos falam em aumento de pena para maus-tratos, com o de Randolfe propondo punição financeira para estabelecimentos comerciais que colaborem com tais práticas.

Outra iniciativa é o PL 172/2026, do senador Bruno Bonetti (PL-RJ), que sugere a criação de um Cadastro Nacional de Pessoas Responsabilizadas por Maus-Tratos. O objetivo é impedir que agressores voltem a cuidar de animais.

Outras propostas

A Lei Sansão (Lei 14.064/2020), que já pune crimes contra cães e gatos com reclusão, é considerada um avanço, mas parlamentares buscam fechar brechas de impunidade. A revisão abrange também a Lei de Crimes Ambientais.

A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) apresentou 4 das 20 propostas relacionadas ao tema protocoladas só neste ano. Uma delas, o PL 147/2026, que altera a Lei Sansão, institui o Sistema Nacional de Prevenção e Detecção de Maus-Tratos a Animais (SINPDM) no âmbito do Poder Executivo federal com a finalidade de apoiar a identificação, a prevenção e a repressão de crimes dessa natureza.

"Outro eixo central da proposta é o fortalecimento da abordagem psicossocial, reconhecendo que a violência contra animais pode ser indicativa de padrões comportamentais preocupantes. A obrigatoriedade de avaliação psicológica e de programas de reeducação, especialmente no âmbito das medidas socioeducativas, contribui para a interrupção de ciclos de violência e para a promoção de uma cultura de respeito à vida", justificou a senadora em sua proposta.

As matérias seguem para análise nas comissões, como a de Constituição e Justiça (CCJ), antes de irem a plenário.