A Hungria é contrária à presença de tropas da OTAN ou da União Europeia na Ucrânia, afirmou nesta segunda-feira (9) o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, ao alertar para o que chamou de aproximação da Europa a um conflito direto com a Rússia.
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"Cada semana traz novos desenvolvimentos que aproximam a Europa da guerra", escreveu Orbán no X nesta segunda-feira (9), ao comentar declarações recentes do secretário-geral da aliança, Mark Rutte, sobre uma eventual presença militar aliada "em terra, mar e ar" na Ucrânia após um acordo de paz.
Ele ainda citou declarações do líder do Partido Popular Europeu, Manfred Weber, que defendeu o envio de tropas "com a bandeira europeia em seus uniformes" ao país.
"Tempos extremamente perigosos estão se aproximando. A Hungria não deve ser arrastada para essa loucura", afirmou o primeiro-ministro.
Visita da OTAN à Ucrânia
Rutte discursou na terça-feira (3) no Parlamento ucraniano e afirmou que tropas da chamada "coligação dos dispostos" seriam enviadas à Ucrânia após um acordo de paz, com apoio dos Estados Unidos, da Europa e do Canadá.
"E uma vez que um acordo de paz seja alcançado, haverá forças armadas, aviões no ar e apoio no mar por parte daqueles que concordarem. Outros membros da OTAN ajudarão de outras maneiras", disse o chefe da aliança, ao classificar a iniciativa como "muito importante" e afirmar que "alcançar acordos para pôr fim à guerra exigirá decisões difíceis".
Envio de forças à Ucrânia
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou previamente que tropas britânicas serão enviadas à Ucrânia para participar de "operações de dissuasão" após um acordo de paz.
Segundo ele, França e Reino Unido concordaram, após a assinatura da Declaração de Paris da "coligação dos dispostos", em criar centros militares no país depois do cessar-fogo, com "o objetivo de apoiar as necessidades defensivas" ucranianas.
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que a declaração define os "componentes das garantias de segurança", que incluem um mecanismo de supervisão do cessar-fogo sob liderança dos Estados Unidos, apoio às Forças Armadas da Ucrânia e o compromisso legal de apoiar Kiev "em caso de um novo ataque por parte da Rússia".
Alvo legítimo para Moscou
A Rússia tem classificado como inaceitável o envio de contingentes militares estrangeiros à Ucrânia. "Já dissemos centenas de vezes que, nesse caso, eles se tornarão um alvo legítimo para nossas forças armadas", afirmou em dezembro o chanceler russo, Sergey Lavrov.
Segundo Lavrov, "o 'partido da guerra europeu', que investiu seu capital político na ideia de infligir uma derrota estratégica à Rússia, não tem piedade nem dos ucranianos nem de sua própria população".