A primeira vacina recombinante de alergia do mundo, desenvolvida por pesquisadores russos, será registrada já no segundo trimestre deste ano, informou nesta segunda-feira (9) a diretora da Agência Federal Médico-Biológica da Rússia (FMBA, em sigla de inglês), Veronika Skvortsova.
Chamada de "Alegarda", a vacina é projetada para combater os efeitos de pólen de bétula e alergênicos semelhantes, incluindo maçãs, pêssegos, amendoins e soja. Ela foi desenvolvida pelo FMBA em conjunto com a Universidade Médica de Viena, revolucionando a imunoterapia específica para alérgenos, de acordo com pesquisadores envolvidos no projeto.
Conforme a definição divulgada pelo Instituto Butantan, uma vacina recombinante é produzida quando "o gene da proteína de um vírus, por exemplo, é introduzido em um microrganismo capaz de produzir muitas cópias daquela proteína", sendo posteriormente purificado e aplicado ao imunizante. O plataforma russa União dos Médicos informa que os compostos são "combinados com a proteína de superfície do vírus da hepatite B, que atua como um 'vetor' na vacina", substituindo os anticorpos naturais de maneira a reduzir os sintomas da resposta alérgica ao pólen.
Expectativas de avanço
"Esperamos obter o registro temporário no segundo trimestre deste ano", avaliou Skvortsova durante coletiva de imprensa. "Paralelamente, está sendo concluída a seleção de pacientes para a terceira fase dos estudos clínicos e, após a temporada de polinização de 2026, esperamos já poder solicitar o registro definitivo dessa vacina", acrescentou.
A diretora destacou que as primeiras duas fases de testes já foram concluídas com resultados bem-sucedidos. Em 2025, apesar de uma temporada elevada de polinização, 25% dos pacientes de teste não demonstraram nenhum sinal de alergia, enquanto os demais apresentaram reações seis vezes mais leves.