Cientistas descobrem componente bacteriano até então desconhecido na formação de cálculos renais

Pela primeira vez, bactérias foram encontradas integradas à estrutura interna de cálculos de oxalato de cálcio; a descoberta pode mudar radicalmente a abordagem para a prevenção e o tratamento da urolitíase, com maior enfoque ao ambiente microbiano e às infecções ocultas.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA) fizeram uma descoberta inesperada que pode mudar o que se sabe sobre a formação do tipo mais comum de cálculo renal, em estudo recentemente publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Pela primeira vez, bactérias foram encontradas integradas à estrutura interna de cálculos de oxalato de cálcio.

"Esta descoberta desafia a antiga suposição de que esses cálculos se desenvolvem exclusivamente por meio de processos químicos e físicos e, em vez disso, mostra que as bactérias podem residir dentro dos cálculos e contribuir ativamente para sua formação", disse a Dra. Kymora Scotland, professora assistente de urologia na Escola de Medicina David Geffen da UCLA e coautora sênior do estudo.

Segundo Scotland, o estudo abre caminho para novas estratégias terapêuticas que visam o ambiente microbiano dos cálculos renais.

Os cálculos de oxalato, que representam mais de 70% dos casos de cálculos renais, eram até então considerados "não infecciosos".

No entanto, o uso de microscopia eletrônica e de fluorescência revelou traços estruturais e químicos de bactérias em amostras de cálculos obtidas de pacientes.

Componentes bacterianos foram encontrados até mesmo em pacientes que não haviam sido diagnosticados com infecções do trato urinário concomitantes.

Cálculos renais recorrentes

Tradicionalmente, os cálculos são considerados resultado de processos puramente químicos e físicos: altas concentrações de sais e minerais na urina e quantidade insuficiente de líquido. Após a eliminação desses cálculos, os médicos geralmente não os consideram um problema relacionado a infecções.

De acordo com os autores do estudo, a presença de bactérias pode explicar parcialmente por que algumas pessoas apresentam cálculos renais recorrentes, apesar do tratamento e das mudanças no estilo de vida.

Nesses casos, a causa subjacente pode ser uma infecção bacteriana nos rins, ureteres ou bexiga.

Segundo as estatísticas, aproximadamente uma em cada onze pessoas terá cálculos renais pelo menos uma vez na vida, e mais de 70% desses casos são cálculos de oxalato de cálcio.

Se pesquisas futuras confirmarem o papel fundamental das bactérias, a abordagem para a prevenção e o tratamento da urolitíase poderá mudar, com maior atenção ao ambiente microbiano e às infecções ocultas.