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'Estrangulamento' dos EUA causa sérias dificuldades para Cuba, denuncia Kremlin

O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, disse que Moscou está discutindo com as autoridades cubanas maneiras de resolver uma situação "realmente crítica".
'Estrangulamento' dos EUA causa sérias dificuldades para Cuba, denuncia KremlinGettyimages.ru / Klavs Bo / Contributor

A situação em Cuba é "verdadeiramente crítica", disse o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, nesta segunda-feira (9), ao comentar informações sobre problemas que a ilha enfrenta com o abastecimento de combustível para aviões e veículos de transporte

"O estrangulamento dos EUA está realmente causando muitas dificuldades para o país", disse Peskov. 

A situação é crítica em Cuba e Moscou sabe disso, afirmou a repórteres. O porta-voz indicou que a Rússia está em negociações com as autoridades cubanas para encontrar soluções ou fornecer toda a assistência possível ao país latino-americano.

Contra a coerção americana

O governo cubano apresentou, em 6 de fevereiro, as medidas que adotará para enfrentar a intensificação das políticas dos EUA contra a ilha.

"Essa política coercitiva [dos EUA] tem se caracterizado por perseguição financeira e sanções secundárias contra navios e empresas que tentam trazer combustível para o nosso país, navios que são legalmente contratados por Cuba, exercendo seu direito como qualquer outro Estado do mundo", disse o vice-primeiro-ministro do país, Oscar Pérez-Oliva Fraga.

As iniciativas anunciadas dizem respeito à produção e utilização de combustíveis, ao setor energético, à agricultura e à saúde. Em particular, as autoridades apelaram para que se tire o máximo proveito das capacidades da ilha, tanto para a produção alimentar como para a geração de eletricidade a partir de fontes renováveis.

Ameaças de Trump

Após a agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, Donald Trump ameaçou aumentar a pressão sobre Cuba. O presidente americano afirmou que "entrar e destruir" Cuba poderia ser a única opção restante para forçar uma mudança de regime.

As ameaças ocorrem em meio ao bloqueio econômico e comercial que os EUA mantêm sobre Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi ainda reforçado com várias medidas coercitivas e unilaterais da Casa Branca.

Em 29 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva declarando "estado de emergência nacional" em resposta à alegada "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representa para a segurança dos Estados Unidos e da região. O texto acusa o governo cubano de se aliar a "numerosos países hostis", abrigar "grupos terroristas transnacionais" como o Hamas e o Hezbollah, e permitir o destacamento na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canelafirmou que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo americano para fins puramente pessoais".

Moscou expressou sua "firme disposição de continuar fornecendo a Cuba o apoio político e material necessário".

"O lado russo reafirmou sua posição de princípio quanto à inaceitabilidade de exercer pressão econômica e militar sobre Cuba, incluindo o bloqueio do fornecimento de energia da ilha, o que poderia levar a uma grave deterioração da situação econômica e humanitária no país", declarou o Ministério das Relações Exteriores.