
Embaixadora da Noruega renuncia ao posto após escândalo envolvendo Jeffrey Epstein

A embaixadora da Noruega na Jordânia, Mona Juul, deixou o cargo após vir à tona sua ligação com o condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein. A decisão foi confirmada neste domingo (8) pelo ministro das Relações Exteriores da Noruega, Espen Barth Eide, que classificou o afastamento como uma "decisão correta e necessária".
"O contato de Juul com Epstein, condenado por abusos, revelou uma falha grave de julgamento. O caso torna difícil restaurar a confiança que a função exige", afirmou Eide, destacando que a quebra de confiança torna inviável a permanência de Juul na função diplomática.
A diplomata já havia sido afastada de suas funções no início de fevereiro, enquanto o Ministério das Relações Exteriores conduzia uma apuração sobre sua relação com Epstein e seu possível conhecimento prévio sobre os crimes atribuídos ao norte-americano.

Com sua saída antecipada da missão na Jordânia, Juul não retornará mais ao cargo de embaixadora. Até que um novo nome seja nomeado, a embaixada será conduzida por um representante interino. Segundo Eide, essa medida garante a continuidade das atividades da missão diplomática, mesmo diante do cenário adverso.
Os documentos relacionados ao caso Epstein revelaram detalhes comprometedores envolvendo Mona Juul, o que levou o governo norueguês a abrir uma apuração com base na legislação sobre deveres de funcionários públicos e diplomatas, tanto dentro quanto fora do exercício de suas funções. Essa investigação continuará em curso, apesar da saída formal de Juul.
"É fundamental compreender a extensão do contato que ela teve com Epstein enquanto integrava o Ministério das Relações Exteriores", ressaltou o chanceler norueguês. "Juul continuará colaborando com as autoridades para esclarecer se os fatos recentemente revelados coincidem com o que já foi relatado por ela anteriormente".
De acordo com Eide, a investigação servirá de base para definir possíveis desdobramentos no vínculo empregatício da ex-embaixadora com o governo da Noruega.
Paralelamente, o ministro confirmou que irá responder às questões apresentadas pela Comissão de Controle e Constituição do Parlamento norueguês, que conduz uma investigação sobre o envolvimento de figuras públicas com Epstein. "Essa é uma etapa que exige total transparência", afirmou.
A repercussão do caso também provocou a reabertura de auditorias sobre os repasses financeiros do Ministério das Relações Exteriores ao International Peace Institute (IPI), entidade anteriormente presidida por Terje Rød-Larsen. Segundo Eide, as informações sobre a relação de Rød-Larsen com Epstein são "muito preocupantes".
"Não há dúvidas de que Rød-Larsen demonstrou uma falha grave de julgamento neste caso", afirmou. Embora o Tribunal de Contas já tenha auditado os repasses ao IPI entre 2007 e 2012, o governo norueguês realizou desde então uma ampla reestruturação na gestão de fundos.
"As investigações em andamento no Ministério das Relações Exteriores são fundamentais para esclarecer os fatos. Levamos este assunto com máxima seriedade. Precisamos entender se houve violações de normas e qual foi a conduta de determinados funcionários em relação a Epstein", concluiu Eide.
