O chefe de gabinete do primeiro-ministro britânico, Morgan McSweeney, renunciou neste domingo (8) após ter sido apontado por vários membros do Parlamento como a pessoa que nomeou Peter Mandelson, que consta nos arquivos de Epstein, como embaixador do Reino Unido nos EUA, informa o The Guardian.
"Após uma reflexão cuidadosa, decidi me demitir do Governo. A decisão de nomear Peter Mandelson foi errada. Prejudicou o nosso partido, o nosso país e a confiança na própria política", anunciou McSweeney em comunicado.
"Quando me perguntaram, aconselhei o primeiro-ministro a fazer essa nomeação e assumo toda a responsabilidade por esse conselho. Na vida pública, a responsabilidade deve ser assumida quando mais importa, não apenas quando é mais conveniente. Dadas as circunstâncias, o único caminho honroso é afastar-me", afirmou.
"Esta não foi uma decisão fácil [...] Saio com orgulho por tudo o que alcançámos, misturado com pesar pelas circunstâncias da minha saída. Mas sempre acreditei que há momentos em que se deve aceitar a responsabilidade e afastar-se por uma caua maior", acrescentou.
McSweeney concluiu a sua mensagem afirmando que "o mais importante" é lembrar as mulheres e meninas cujas vidas foram arruinadas por Jeffrey Epstein e cujas vozes "não foram ouvidas por muito tempo".
Além disso, ele afirmou que, embora não tenha supervisionado o processo de diligência e verificação como deveria, considera que este deve ser revisto em profundidade. "Isto não pode ser apenas um gesto, mas uma garantia para o futuro. Continuo a apoiar plenamente o primeiro-ministro [...] Foi uma honra na minha vida servi-lo", acrescentou.
O escândalo
Em setembro do ano passado, o primeiro-ministro britânico demitiu Peter Mandelson do cargo de embaixador, nomeado em fevereiro de 2025, após revelações sobre a sua relação com Epstein.
Após novas revelações sobre a sua amizade com Epstein, Mandelson renunciou ao Partido Trabalhista na segunda-feira (2). "Não desejo causar mais vergonha ao Partido Trabalhista e, portanto, renuncio à minha filiação ao partido", afirmou ele em uma carta.
No dia seguinte, a Polícia Metropolitana de Londres iniciou uma investigação criminal contra Mandelson. Ele é acusado de filtrar e-mails de Downing Street sobre propostas de política fiscal para Epstein enquanto era membro do gabinete do ex-primeiro-ministro Gordon Brown em 2009.
Além disso, suspeita-se que ele tenha avisado o financista sobre um resgate bancário da UE no valor de 500 bilhões de euros antes do anúncio oficial. No mesmo dia, Mandelson renunciou ao seu assento na Câmara dos Lordes.
Os documentos divulgados também revelaram que o financista enviou 75 000 dólares ao ex-embaixador. Também estão incluídas mensagens de 2009 em que Mandelson, então ministro dos Negócios, garante a Epstein que estava a envidar esforços para alterar a política governamental sobre os bónus dos banqueiros, tal como o financista tinha solicitado.