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Chanceler do Irã aponta os dois caminhos possíveis para os EUA em relação ao país

"Esperamos que os Estados Unidos escolham a diplomacia", enfatizou Seyed Abbas Araghchi.
Chanceler do Irã aponta os dois caminhos possíveis para os EUA em relação ao paísGettyimages.ru / Arif Hudaverdi Yaman / Anadolu

Washington tem duas opções em relação a Teerã: guerra ou diplomacia, declarou no sábado (7) o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, ressaltando que seu país opta pela segunda.

"Ontem, eu disse aos negociadores americanos que eles têm duas opções em relação a nós: a primeira é a guerra e a segunda é a diplomacia", afirmou em entrevista à Al Jazeera.

"Nossa opção é a diplomacia, mas estamos preparados para ambas, ainda mais do que da última vez", enfatizou, referindo-se aos ataques lançados em junho de 2025 por Israel e pelos EUA contra a infraestrutura nuclear persa. "Esperamos que os Estados Unidos escolham a diplomacia", acrescentou.

O chanceler também observou que a possibilidade de uma guerra sempre existe e que Teerã está preparada para isso, explicando que "essa preparação tem como objetivo encontrar soluções sem que haja guerra".

Irã atacará bases dos EUA no Oriente Médio se sofrer uma agressão

Ao mesmo tempo, Araghchi afirmou que a República Islâmica atacará bases americanas no Oriente Médio caso sofra uma agressão militar por parte de Washington.

"Se os EUA lançarem um ataque contra nós, não temos capacidade para atacar seu território. Portanto, atacaremos as bases americanas na região, o que arrastará toda a região para a guerra", afirmou. Nesse contexto, ele esclareceu que não se trataria de ataques aos países vizinhos, mas apenas às bases americanas localizadas neles. "Há uma diferença significativa nessa questão", concluiu.

Conversas em meio a fortes tensões

As tensões entre os EUA e o Irã aumentaram no início de janeiro, quando Trump ameaçou uma intervenção militar, alegando preocupação com os participantes dos protestos internos no Irã. Embora as manifestações tenham cessado, Washington manteve a pressão, recalibrando seu argumento de volta à oposição aos programas nucleares e de mísseis de Teerã.

Nesta sexta-feira (6), foi realizada em Mascate, Omã, a primeira jornada de contatos indiretos entre os EUA e o Irã sobre a questão nuclear. As consultas foram realizadas separadamente, com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, e o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, reunindo-se alternadamente com o chanceler omanense, Badr bin Hamad Al Busaidi, que atuou como mediador.

Trump classificou os diálogos como "muito positivos" e afirmou que "o Irã parece muito interessado em chegar a um acordo". Além disso, anunciou que uma nova rodada de negociações está prevista para "o início da próxima semana", ao mesmo tempo em que adverte as autoridades persas que "se não chegarem a um acordo, as consequências serão muito graves".

Por sua vez, Araghchi também descreveu o ambiente como "positivo" e confirmou a vontade de manter o canal de diálogo aberto. No entanto, o Irã rejeitou categoricamente uma das principais exigências de Washington: cessar o enriquecimento de urânio.