O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou que as negociações com Washington tiveram um início considerado positivo, mas destacou que ainda há um longo caminho para a construção de confiança entre as partes. A declaração foi feita em entrevista à emissora Al Jazeera publicada neste sábado (7).
De acordo com o chanceler, as conversas ocorreram de forma indireta e ficaram limitadas ao tema nuclear. Araghchi ressaltou que Teerã não discutiu outros assuntos durante os contatos com representantes norte-americanos.
O ministro reiterou que o enriquecimento de urânio é um direito do Irã e que o programa deve continuar. Ele afirmou que nem mesmo ataques militares anteriores conseguiram eliminar as capacidades do país nessa área. Segundo Araghchi, o Irã está disposto a chegar a um acordo que ofereça garantias em relação ao enriquecimento, desde que seus direitos sejam respeitados.
Sobre a questão militar, o chanceler declarou que o programa de mísseis não está em pauta, por se tratar, segundo ele, de um tema de defesa nacional. Araghchi acrescentou que o processo de negociação precisa ocorrer sem ameaças ou pressões e disse esperar que essa postura esteja presente na política dos Estados Unidos.
O ministro afirmou ainda que é necessário um processo de confiança mútua para que ocorram negociações efetivas, com o objetivo de alcançar um resultado considerado justo e baseado em interesses recíprocos. Nesse contexto, declarou que Washington retornou ao diálogo após ações militares anteriores.
Araghchi defendeu que a questão nuclear iraniana só pode ser resolvida por meio de negociações. Segundo ele, ainda não há uma data definida para uma segunda rodada de conversas, mas tanto Teerã quanto Washington consideram que o próximo encontro deve acontecer em breve.
O chanceler também mencionou que, apesar do caráter indireto das negociações, houve a possibilidade de um cumprimento entre integrantes das delegações. Sobre eventuais confrontos, afirmou que o Irã não atacaria o território dos Estados Unidos, mas que responderia a qualquer agressão mirando bases norte-americanas na região, diferenciando essas instalações dos países que as abrigam.