Uber recebe condenação histórica por caso de estupro

O julgamento abre um precedente crucial para as mais de 3.000 ações judiciais por agressão sexual pendentes contra a empresa nos Estados Unidos e redefine a responsabilidade das plataformas digitais em relação à segurança dos usuários.

Um tribunal federal do Arizona (EUA) condenou a gigante Uber a pagar US$ 8,5 milhões a Jaylynn Dean, uma passageira que foi estuprada por um de seus motoristas em 2023, informou recentemente o New York Times. A decisão descarta diretamente o que tem sido o pilar fundamental da defesa corporativa da Uber: que não é responsável pelos atos de seus motoristas, que classifica como prestadores de serviços independentes.

Durante anos, a empresa argumentou que é apenas um aplicativo tecnológico que conecta usuários a motoristas autônomos. No entanto, o júri rejeitou essa abordagem, determinando que a empresa pode ser considerada responsável pelos danos causados durante uma viagem gerenciada por meio de sua plataforma.

Durante o processo, vieram à tona documentos internos da Uber que, segundo os advogados da demandante, mostravam que a empresa havia adiado a adoção de medidas de segurança — como câmeras nos veículos — por medo de desacelerar seu crescimento. Além disso, foi revelado que o sistema de avaliação de riscos da Uber havia classificado a viagem de Dean como de "alto risco" minutos antes de ela entrar no carro, mas a empresa nunca a alertou.

O veredicto estabelece um precedente crucial para as mais de 3.000 ações judiciais por agressão sexual pendentes contra a Uber nos Estados Unidos.