EUA autorizam tarifas contra países que mantenham comércio com o Irã; Brasil pode ser afetado

Em 2025, o país foi o quinto principal destino das exportações brasileiras no Oriente Médio.

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (6) uma nova ordem executiva que autoriza a imposição de tarifas adicionais sobre importações provenientes de países que mantenham relações comerciais diretas ou indiretas com o Irã. A medida foi assinada pelo presidente Donald J. Trump.

Segundo o texto, a decisão se baseia na avaliação de que as ações e políticas do governo iraniano continuam representando uma "ameaça incomum e extraordinária" à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos. A ordem reafirma e expande determinações anteriores que impuseram sanções ao Irã, incluindo medidas relacionadas a setores energéticos, financeiros e a violações de direitos humanos.

A nova determinação autoriza a aplicação de tarifas ad valorem adicionais — citadas como podendo chegar, por exemplo, a 25% — sobre bens importados de qualquer país que adquira bens ou serviços iranianos, mesmo de forma indireta, por meio de intermediários ou terceiros países. 

A medida entra em vigor à 0h01 (horário da costa leste dos EUA) do dia 7 de fevereiro de 2026.

Afeta o Brasil?

Em 2025, o Brasil manteve uma corrente de comércio de quase US$ 3 bilhões com o Irã, de acordo com uma apuração da Agência Brasil que cita dados do Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Trata-se do quinto principal destino das exportações brasileiras no Oriente Médio.

As vendas brasileiras para o país persa somaram aproximadamente US$ 2,9 bilhões, impulsionadas sobretudo por produtos do agronegócio como milho e soja, que juntos responderam pela maior parte do valor exportado, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Nesse mesmo período, as importações brasileiras de produtos iranianos foram de cerca de US$ 84 milhões, com destaque para adubos e fertilizantes químicos, gerando um superávit comercial de cerca de US$ 2,8 bilhões na balança bilateral.