A Rússia está preparada para qualquer desdobramento após a expiração do Tratado de Redução de Armas Estratégicas com os Estados Unidos, afirmou nesta sexta-feira (6) o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov.
"Claro que estaremos dispostos a discutir esse tema com nossos colegas norte-americanos quando a posição geral deles sobre as questões-chave ficar clara", declarou o chanceler, ao ressaltar que o diálogo segue sendo a opção preferencial da Rússia.
Fim das obrigações bilaterais
Em comunicado anterior, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que, com o término do acordo, Moscou e Washington deixaram de estar vinculados por compromissos formais. Segundo a chancelaria, nas atuais circunstâncias, as partes não estão mais obrigadas a cumprir disposições fundamentais do tratado, ficando livres para definir seus próximos passos.
Ainda assim, o ministério destacou que a Rússia pretende agir de forma "responsável e ponderada", com base em uma análise detalhada da política militar dos EUA e da situação estratégica global.
Proposta de Trump
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump defendeu a elaboração de um novo acordo de armas estratégicas em substituição ao Novo START. Em publicação na rede Truth Social, Trump classificou o tratado como "mal negociado" por Washington e afirmou que seus termos teriam sido "gravemente violados".
Termos do START III
O START III foi assinado em 8 de abril de 2010 pelos então presidentes da Rússia, Dmitry Medvedev, e dos EUA, Barack Obama, e prorrogado por cinco anos em fevereiro de 2021. Pelo acordo, as partes se comprometeram a limitar seus arsenais a 700 vetores nucleares, 1.550 ogivas e 800 lançadores.
Próximos passos de Moscou
De acordo com o assessor presidencial russo Yuri Ushakov, o tema foi abordado na conversa mantida nesta sexta-feira entre o presidente Vladimir Putin e seu homólogo da China, Xi Jinping. Segundo Ushakov, Putin reiterou que a Rússia continuará aberta à busca de soluções negociadas para preservar a estabilidade estratégica.
Alerta do Kremlin
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, advertiu que, em poucos dias, o mundo poderá enfrentar uma situação mais perigosa. "Pela primeira vez, Estados Unidos e a Federação da Rússia — os dois países com os maiores arsenais nucleares do planeta — ficarão sem um documento fundamental que limite e controle essas armas. Consideramos isso extremamente negativo", afirmou.