
Polícia prende influencer argentina ré por injúria racial contra funcionários de bar no Rio

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu nesta sexta-feira (6) a advogada e influencer argentina Agostina Páez, acusada de injúria racial contra funcionários de um bar em Ipanema, na Zona Sul da capital fluminense. No momento da prisão, ela utilizava tornozeleira eletrônica. As informações foram apuradas e divulgadas pelo portal g1.
A detenção ocorreu em Vargem Pequena, na Zona Sudoeste do Rio, e Agostina Páez foi encaminhada para a 11ª Delegacia de Polícia (Rocinha). O advogado Ezequiel Roitman, que a representa, esteve na unidade policial e afirmou que irá se manifestar apenas nos autos do processo.
Após decretada a prisão preventiva, a argentina publicou um vídeo nas redes sociais no qual declarou estar "com muito medo". "Estou desesperada, morrendo de medo, e faço este vídeo para que a situação que estou vivendo ganhe repercussão", disse. Na gravação, ela pediu para não ser usada "como exemplo" e afirmou precisar de ajuda.
Agostina também declarou que acredita ter seus direitos violados e afirmou temer consequências ao se manifestar publicamente. "Tenho medo de ser prejudicada ao fazer este vídeo, de que meus direitos sejam ainda mais violados", afirmou.

A prisão preventiva foi decretada após a 37ª Vara Criminal aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Segundo a decisão judicial, a medida se baseou no risco de fuga e no comportamento reiterado da acusada, que, de acordo com a promotoria, continuou com as ofensas mesmo após ser alertada de que a conduta configurava crime no Brasil.
O caso ocorreu no dia 14 de janeiro. Conforme a denúncia do MPRJ, Agostina teria se referido a um funcionário do bar como "negro" de forma pejorativa e, ao deixar o local, utilizado a palavra "mono", que em espanhol significa macaco, além de imitar gestos do animal. Ainda segundo a promotoria, ela voltou a proferir ofensas, usando expressões como "negros de m…" e "monos".
Um vídeo com os gestos viralizou nas redes sociais e deu início à investigação da Polícia Civil. Agostina nega as acusações e afirma que o episódio teria sido uma "brincadeira" direcionada a amigas que estavam com ela no local.
🇧🇷🇦🇷 Justiça do Rio decreta prisão de argentina acusada de gesto racista em bar de IpanemaVídeos registrados no local mostram Agostina Páez imitando gestos de macaco e emitindo sons do animal, reforçando versão apresentada pelas vítimas.Detalhes ➡️ https://t.co/ZKoJDtSVVBpic.twitter.com/B0bALqsPzF
— RT Brasil (@rtnoticias_br) February 5, 2026
No vídeo publicado após a decisão judicial, a argentina declarou que não pode comentar o conteúdo do processo. "Sobre os fatos, não posso falar; só espero que tudo se esclareça e se resolva como deve ser", disse.
Posteriormente, Agostina publicou um story afirmando que existem outros registros do ocorrido. "Espero que sejam levados em consideração", declarou, acrescentando, sem detalhar, referências a "estelionato, fraudes, assédio, perseguição".
Antes da prisão, a Justiça havia determinado o uso de tornozeleira eletrônica. Segundo a própria acusada, ela estava à disposição das autoridades. "Recebi uma notificação de que há um mandado de prisão preventiva contra mim por risco de fuga, sendo que estou com tornozeleira eletrônica e estou à disposição da Justiça", afirmou.
O advogado Sebastian Robles, que também atua na defesa, disse ao g1 que Agostina cumprirá todas as medidas impostas. "É claro que ela cumprirá todas as medidas determinadas pelo sistema judiciário, como vem fazendo desde o início", declarou.
