O Carnaval do Rio de Janeiro é uma das grandes marcas culturais do Brasil e uma das festas populares mais conhecidas no mundo. Anualmente, a festa atrai centenas de milhares de turistas interessados no espetáculo de música, dança e criatividade que toma conta da cidade.
Fantasias, blocos carnavalescos, desfiles das escolas de samba e o Sambódromo estão entre os elementos centrais da festa.
Reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Brasil, o Carnaval carioca vai além do entretenimento. A festa reúne pessoas de diferentes classes sociais, origens e regiões em uma celebração coletiva que ocupa ruas, avenidas e espaços públicos.
Ao longo dos dias de folia, a cidade se transforma em um grande palco de convivência social, marcado por música, dança e manifestações populares.
História da festa: como europeu e africano misturou
A origem do Carnaval no Brasil remonta ao período colonial, quando os portugueses trouxeram o chamado "entrudo". A prática consistia em brincadeiras realizadas nas ruas antes da Quaresma, onde as pessoas jogavam água, farinha, frutas e outros objetos umas nas outras.
Os festejos estavam associados ao fim do inverno europeu e simbolizam abundância, renovação e "excesso" antes do período de restrição religiosa.
Com o tempo, o entrudo foi sendo modificado por outras influências culturais. No fim do século XIX, especialmente a partir da década de 1880, o Rio de Janeiro recebeu um grande número de negros libertos que migravam em busca de trabalho. Com eles, chegaram tradições africanas que passaram a moldar o Carnaval e a vida cultural da cidade.
Surgiram então os ranchos carnavalescos, grupos organizados em temas, músicas e coreografias próprias. Diferente das brincadeiras espontâneas do entrudo, os ranchos tinham estrutura, ensaios e identidade definida.
Muitos funcionavam durante todo o ano como espaços de sociabilidade, desempenhando papel semelhante ao de clubes sociais e abrindo caminho para o surgimento das escolas de samba.
A pedido desses grupos, a compositora Chiquinha Gonzaga escreveu "Ô Abre Alas", considerada a primeira marcha criada especialmente para o Carnaval. A música, de ritmo alegre e fácil assimilação, ajudou a consolidar a ideia de desfiles organizados ao som de composições próprias.
Posteriormente, o samba, gênero de origem afro-brasileira desenvolvido nos subúrbios e bairros populares do Rio, passou a ocupar o centro da festa, definindo a identidade musical do Carnaval carioca.
Sambódromo: como apareceu?
Com o crescimento das escolas e a complexidade dos desfiles, as ruas da Cidade Maravilhosa ficaram pequenas para o espetáculo. A necessidade de um espaço fixo e adequado levou à construção do Sambódromo, oficialmente chamado de Passarela do Samba.
Projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1984, o Sambódromo foi concebido especificamente para os desfiles das escolas de samba. Com cerca de 700 metros de extensão, arquibancadas fixas e capacidade para dezenas de milhares de espectadores, o espaço permitiu maior organização do espetáculo e ampliou as possibilidades criativas das escolas.
Desde então, o Sambódromo tornou-se o principal palco do Carnaval do Rio de Janeiro. Os desfiles passaram a ter caráter competitivo, com regras, jurados e critérios de avaliação, transformando-se em um dos maiores eventos culturais do país.
Hoje, o Carnaval carioca combina tradição, espetáculo e competição, mantendo-se como uma das expressões mais marcantes da cultura brasileira.