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Carnaval carioca: da festa de rua ao 'maior espetáculo da terra'

A história da festa na Cidade Maravilhosa passa pela transformação das antigas brincadeiras de rua em desfiles organizados, impulsionados pelas marchas carnavalescas, pelo samba e pela atuação das escolas, que mudaram a forma de ocupar a cidade.
Carnaval carioca: da festa de rua ao 'maior espetáculo da terra'Gettyimages.ru / Richard I'Anson

O Carnaval do Rio de Janeiro é uma das grandes marcas culturais do Brasil e uma das festas populares mais conhecidas no mundo. Anualmente, a festa atrai centenas de milhares de turistas interessados no espetáculo de música, dança e criatividade que toma conta da cidade.

Fantasias, blocos carnavalescos, desfiles das escolas de samba e o Sambódromo estão entre os elementos centrais da festa.

Reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Brasil, o Carnaval carioca vai além do entretenimento. A festa reúne pessoas de diferentes classes sociais, origens e regiões em uma celebração coletiva que ocupa ruas, avenidas e espaços públicos. 

Ao longo dos dias de folia, a cidade se transforma em um grande palco de convivência social, marcado por música, dança e manifestações populares.

História da festa: como europeu e africano misturou 

A origem do Carnaval no Brasil remonta ao período colonial, quando os portugueses trouxeram o chamado "entrudo". A prática consistia em brincadeiras realizadas nas ruas antes da Quaresma, onde as pessoas jogavam água, farinha, frutas e outros objetos umas nas outras. 

Os festejos estavam associados ao fim do inverno europeu e simbolizam abundância, renovação e "excesso" antes do período de restrição religiosa.

Com o tempo, o entrudo foi sendo modificado por outras influências culturais. No fim do século XIX, especialmente a partir da década de 1880, o Rio de Janeiro recebeu um grande número de negros libertos que migravam em busca de trabalho. Com eles, chegaram tradições africanas que passaram a moldar o Carnaval e a vida cultural da cidade.

Surgiram então os ranchos carnavalescos, grupos organizados em temas, músicas e coreografias próprias. Diferente das brincadeiras espontâneas do entrudo, os ranchos tinham estrutura, ensaios e identidade definida.

Muitos funcionavam durante todo o ano como espaços de sociabilidade, desempenhando papel semelhante ao de clubes sociais e abrindo caminho para o surgimento das escolas de samba.

A pedido desses grupos, a compositora Chiquinha Gonzaga escreveu "Ô Abre Alas", considerada a primeira marcha criada especialmente para o Carnaval. A música, de ritmo alegre e fácil assimilação, ajudou a consolidar a ideia de desfiles organizados ao som de composições próprias. 

Posteriormente, o samba, gênero de origem afro-brasileira desenvolvido nos subúrbios e bairros populares do Rio, passou a ocupar o centro da festa, definindo a identidade musical do Carnaval carioca.

Sambódromo: como apareceu?

Com o crescimento das escolas e a complexidade dos desfiles, as ruas da Cidade Maravilhosa ficaram pequenas para o espetáculo. A necessidade de um espaço fixo e adequado levou à construção do Sambódromo, oficialmente chamado de Passarela do Samba.

Projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1984, o Sambódromo foi concebido especificamente para os desfiles das escolas de samba. Com cerca de 700 metros de extensão, arquibancadas fixas e capacidade para dezenas de milhares de espectadores, o espaço permitiu maior organização do espetáculo e ampliou as possibilidades criativas das escolas.

Desde então, o Sambódromo tornou-se o principal palco do Carnaval do Rio de Janeiro. Os desfiles passaram a ter caráter competitivo, com regras, jurados e critérios de avaliação, transformando-se em um dos maiores eventos culturais do país.

Hoje, o Carnaval carioca combina tradição, espetáculo e competição, mantendo-se como uma das expressões mais marcantes da cultura brasileira.