
'Negociaremos sempre a partir de uma posição de força': Rubio após expiração de tratado de mísseis com Rússia

Em comunicado oficial, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o seu país sempre "negociará a partir de uma posição de força", referindo-se ao fim do Tratado de Redução de Armas Estratégicas com a Rússia.
Rubio observou que as restrições aos estoques de armamentos já "não pode mais ser uma questão bilateral entre os Estados Unidos e a Rússia": "Como deixou claro o presidente [Donald Trump], outros países têm a responsabilidade de contribuir para garantir a estabilidade estratégica, sobretudo a China", afirmou.
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O Secretário de Estado enfatizou que Washington não aceitará "condições que prejudiquem os Estados Unidos", nem irá ignorar "seu não cumprimento na busca de um futuro acordo": "Deixamos claros nossos critérios e não faremos concessões só para que simplesmente haja qualquer acordo", afirmou.
Avisos à China e à Rússia
"Sempre negociaremos a partir de uma posição de força. Rússia e China não devem esperar que os Estados Unidos fiquem de braços cruzados enquanto eles se esquivam de suas obrigações e expandem suas forças nucleares", advertiu Rubio.

Rubio prometeu que o país manterá uma "dissuasão nuclear robusta, convincente e modernizada": "Mas faremos isso ao mesmo tempo em que procuramos realizar, de todas as formas possíveis, o desejo legítimo do Presidente [Trump] por um mundo com menos dessas armas terríveis", continuou o secretário de Estado, admitindo que o processo pode levar tempo para se concretizar.
"Hoje, em Genebra, damos os primeiros passos rumo a um futuro em que a ameaça nuclear global seja reduzida na realidade, não apenas no papel. Esperamos que outros se juntem a nós", concluiu.
"Acordo mal negociado pelos EUA"
O presidente dos EUA, Donald Trump, propôs desenvolver um novo e aprimorado acordo de armas estratégicas com a Rússia em vez de estender o Novo START.
"Ao invés de estender o Novo START, um acordo mal negociado pelos Estados Unidos que também está sendo seriamente violado, nossos especialistas nucleares deveriam trabalhar em um novo tratado, aprimorado e modernizado, e que possa perdurar no futuro", publicou o presidente em sua rede social Truth Social, na quinta-feira (5).
Rússia está preparada para qualquer cenário
O Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, indicou que seu país está preparado para qualquer cenário após o término do tratado: "É claro que estaremos prontos para discutir essa questão com nossos colegas americanos assim que sua posição geral sobre os pontos-chave ficar mais clara", afirmou, enfatizando sua preferência pelo diálogo.
Um comunicado da chancelaria russa também afirmou que as partes não estavam mais vinculadas às suas obrigações: "Nas circunstâncias atuais, partimos do princípio de que as partes do START não estão mais vinculadas a quaisquer compromissos ou declarações simétricas no contexto do tratado, incluindo suas disposições fundamentais, e que, em princípio, são livres para escolher seus próximos passos", diz o comunicado.
Em que consiste o tratado?
O Tratado de Redução de Armas Estratégicas, também conhecido como START III ou Novo START, foi assinado por Rússia e EUA em 8 de abril de 2010 e prorrogado sem condições prévias por cinco anos, em fevereiro de 2021.
Pelo acordo, as partes se comprometiam a reduzir suas forças nucleares ativas para até 1.550 ogivas nucleares, 800 lançadores e 700 mísseis balísticos.

Próximos passos da Rússia
A Rússia agirá "de forma responsável" após o término do Tratado de Redução de Armas Estratégicas, declarou na quarta-feira (4) o assessor do presidente russo, Yuri Ushakov.
Segundo ele, o assunto foi abordado durante a conversa mantida entre Vladimir Putin e o presidente chinês, Xi Jinping.
"Putin enfatizou que, nessa situação, agiremos de maneira ponderada e responsável, com base em uma análise minuciosa da situação geral em matéria de segurança. Continuamos abertos a buscar vias de negociação para garantir a estabilidade estratégica", afirmou Ushakov.
