A Polícia Federal (PF) investiga nesta sexta-feira (6) o Fundo do Estado do Amapá por uma aplicação de R$ 400 milhões no Banco Master, recentemente liquidado pelo Banco Central (BC), visando cumprir quatro mandados de busca e apreensão no teor de investigações de fraude e administração irresponsável de recursos.
A operação representa a segunda ação coordenada da PF contra fundos previdenciários envolvidos no caso Master.
Em janeiro deste ano, a Operação Barco de Papel investigou o Rioprevidência, do Rio de Janeiro, que teria colocado em risco recursos da autarquia por meio de aplicações financeiras. Agora, a Operação Zona Cinzenta busca esclarecer possíveis falhas na gestão dos aportes.
Improbidade em aposentadorias
Entre outubro de 2023 e dezembro de 2024, 18 fundos de estados e municípios adquiriram Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, concentrando investimentos que chegam a R$ 1,87 bilhão de norte a sul do país.
Os fundos previdenciários são responsáveis por administrar recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos e seus dependentes.
Essas aplicações não têm direito a ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que cobre apenas aportes de até R$ 250 mil. Isso implica que — uma vez que o dinheiro investido se tornou uma dívida do banco a ser paga no processo de liquidação — esses fundos públicos integrarão a massa de credores do banco e terão que esperar na fila para tentar recuperar o que perderam, junto com outros credores sem prioridade.
Se o banco não tiver dinheiro suficiente para pagar todos os credores, estados e municípios podem ter prejuízos financeiros, o que pode afetar o pagamento de aposentadorias e pensões no futuro.
Veja quanto foi investido pelos fundos no Banco Master, conforme apurado pelo jornal Metrópoles:
Estados:
Rio de Janeiro (RJ): R$ 970 milhões
Amapá (AP): R$ 400 milhões
Amazonas (AM): R$ 50 milhões
Municípios:
Angélica (MS): R$ 2 milhões
Aparecida de Goiânia (GO): R$ 40 milhões
Araras (SP): R$ 29 milhões
Cajamar (SP): R$ 87 milhões
Campo Grande (MS): R$ 1,2 milhão
Congonhas (MG): R$ 14 milhões
Fátima do Sul (MS): R$ 7 milhões
Itaguaí (RJ): R$ 59,6 milhões
Jateí (MS): R$ 2,5 milhões
Maceió (AL): R$ 97 milhões
Paulista (PE): R$ 3 milhões
Santa Rita D’Oeste (SP): R$ 2 milhões
Santo Antônio de Posse (SP): R$ 7 milhões
São Gabriel do Oeste (MS): R$ 3 milhões
São Roque (SP): R$ 93,15 milhões