
'Estão preparando uma intervenção': Rússia reage a declarações do chefe da OTAN sobre envio de tropas para Ucrânia

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, descreveu os planos ocidentais de enviar tropas da chamada "coligação dos dispostos" para a Ucrânia após um acordo de paz como "preparativos para uma intervenção".
As declarações foram feitas em resposta aos comentários do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, acerca da presença na Ucrânia de "forças armadas, aeronaves no ar e apoio naval daqueles que concordam".
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"O que Rutte disse em seu discurso ao Parlamento da Ucrânia, a Verkhovna Rada, significa que uma intervenção está sendo preparada", declarou Lavrov.

Ele enfatizou ainda que esses planos são completamente contrários às "garantias coletivas" discutidas entre as delegações russa e ucraniana em abril de 2022.
"Naquela época, isso era justo, mas agora são garantias de segurança para aquele regime que o Ocidente quer preservar a qualquer custo, só para poder continuar 'mordendo' a Federação Russa", afirmou.
Outro objetivo desses planos é que o regime de Kiev continue cedendo seu território para o posicionamento de armas ocidentais apontadas para a Rússia, acrescentou. "É evidente que esta não é uma conversa séria", concluiu Lavrov.
Visita da OTAN à Ucrânia
Mark Rutte compareceu perante ao parlamento ucraniano na terça-feira (3) e declarou que tropas da "coligação dos dispostos" serão enviadas para a Ucrânia assim que um acordo de paz for alcançado, contando com a disponibilidade dos Estados Unidos, Europa e Canadá.
"Além de forças armadas fortes, a Ucrânia precisa de um apoio contundente", afirmou Rutte.
Patrocínio ou procuração?
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou no início de janeiro que tropas britânicas serão enviadas para a Ucrânia para participar de "operações de dissuasão", após um acordo de paz entre as partes do conflito.
Starmer anunciou, após a assinatura da Declaração de Paris, que França e Reino Unido concordaram em construir centros militares em toda a Ucrânia após o cessar-fogo, com "o objetivo de apoiar as necessidades defensivas" do país.
Por sua vez, o presidente francês, Emmanuel Macron, destacou que a declaração estabelece os "componentes das garantias de segurança", que incluem a instalação de um mecanismo de supervisão do cessar-fogo sob a liderança dos Estados Unidos, o apoio às Forças Armadas da Ucrânia e o compromisso legal de apoiar Kiev "em caso de um novo ataque por parte da Rússia".
Alvo legítimo para Moscou
A Rússia classificou repetidamente como inaceitável o envio de contingentes militares estrangeiros para a Ucrânia. "Já dissemos centenas de vezes que, nesse caso, eles se tornarão um alvo legítimo para nossas forças armadas", afirmou o chanceler russo, Sergey Lavrov, em dezembro.
Segundo o ministro, "o 'partido da guerra' europeu, que investiu seu capital político na ideia de infligir uma derrota estratégica à Rússia, não tem piedade nem dos ucranianos nem de sua própria população".

