
China urge aos EUA que retomem diálogo sobre estabilidade estratégica com a Rússia

A China urge aos EUA que retomem o diálogo sobre estabilidade estratégica com a Rússia, afirmou nesta sexta-feira (6) o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, citado pela agência Xinhua.
Essas declarações vêm após o Tratado de Redução de Armas Estratégicas, também conhecido como START III ou Novo START, ter expirado na quinta-feira (5).
"Essa também é a expectativa comum da comunidade internacional", observou o porta-voz.

O Ministério das Relações Exteriores russo, ao se referir ao término do acordo, declarou na quarta-feira (4) que as partes não estão mais vinculadas por suas obrigações.
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"Nas circunstâncias atuais, partimos do princípio de que as partes do Novo START não estão mais vinculadas a quaisquer compromissos ou declarações simétricas no âmbito do tratado, incluindo suas disposições fundamentais, e que, em princípio, são livres para escolher seus próximos passos", diz o comunicado do ministério russo.
O texto também indica que Moscou "pretende agir de forma responsável e ponderada", com base em uma análise minuciosa da política militar dos EUA e da situação geral na esfera estratégica.
"Um acordo mal negociado pelos EUA"
Por sua vez, o presidente dos EUA, Donald Trump, propôs trabalhar em um novo acordo de armas estratégicas com a Rússia, abandonando o tratado anterior ao prazo de expiração.
"Ao invés de estender o Novo START (um acordo mal negociado pelos Estados Unidos que também está sendo seriamente violado), nossos especialistas nucleares deveriam trabalhar em um tratado novo, aprimorado e modernizado que possa perdurar no futuro", publicou o presidente em sua rede social Truth Social, na quinta-feira (5).
Um dos principais obstáculos para a prorrogação do acordo foi a intenção dos EUA de incluir a China, argumentando que seu arsenal nuclear está aumentando rapidamente. No entanto, o arsenal chinês é muito inferior ao russo e ao americano, representando entre 11% e 12% do seu volume.
"Trabalharemos com a China, a Rússia e qualquer outro país, sejam eles amigos ou um pouco mais competitivos, para tentar reduzir a quantidade de armas nucleares existentes no mundo", declarou na quinta-feira o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance.
Em que consiste o tratado?
O Tratado de Redução de Armas Estratégicas, também conhecido como START III ou Novo START, foi assinado por Rússia e EUA em 8 de abril de 2010 e prorrogado sem condições prévias por cinco anos, em fevereiro de 2021.
Pelo acordo, as partes se comprometiam a reduzir suas forças nucleares ativas para até 1.550 ogivas nucleares, 800 lançadores e 700 vetores.
Moscou suspendeu sua participação no pacto em fevereiro de 2023, alegando que Washington "destruiu a base legal em matéria de controle de armas e segurança" ao acionar a infraestrutura militar da OTAN contra a Rússia. Ao mesmo tempo, Moscou sempre declarou que pretende cumprir as restrições previstas dentro do prazo de validade do acordo.

Próximos passos da Rússia
A Rússia agirá "de forma responsável" após o término do Tratado de Redução de Armas Estratégicas, declarou na quarta-feira (4) o assessor do presidente russo, Yuri Ushakov.
Segundo ele, o assunto foi abordado durante a conversa mantida entre Vladimir Putin e o presidente chinês, Xi Jinping.
"Putin enfatizou que, nessa situação, agiremos de maneira ponderada e responsável, com base em uma análise minuciosa da situação geral em matéria de segurança. Continuamos abertos a buscar vias de negociação para garantir a estabilidade estratégica", afirmou Ushakov.
O que vem a seguir?
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, alertou na terça-feira (3) que "dentro de poucos dias, o mundo provavelmente ficará em uma situação mais perigosa do que até agora".
"Pela primeira vez, os Estados Unidos e a Federação Russa — os dois países com os maiores arsenais nucleares do mundo — ficarão sem um documento fundamental que limite e controle esses arsenais. Achamos isso muito ruim", afirmou.


