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Lavrov alerta para ameaça de autodestruição da OSCE

Segundo o chanceler, a principal razão para a situação atual foi o afastamento pela maioria dos estados ocidentais dos princípios norteadores da organização.
Lavrov alerta para ameaça de autodestruição da OSCESputnik / Uri Kochetkov /

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) está em profunda crise e que existe uma ameaça real de sua autodestruição.

As declarações foram feitas durante as conversas com o presidente da organização, Ignazio Cassis, e com o secretário-geral, Feridun Sinirlioglu, em Moscou, nesta sexta-feira (6). 

Segundo o ministro, a principal razão para a situação atual foi o afastamento da maioria dos estados ocidentais dos princípios estabelecidos na Ata Final de Helsinque e nas declarações subsequentes da OSCE.

Cassis, o representante suíço que preside a organização desde 1º de janeiro, expressou seu desejo de discutir com Lavrov o possível envolvimento da organização no monitoramento de um cessar-fogo no conflito ucraniano. O diplomata afirmou que é necessário encontrar maneiras de garantir que a OSCE esteja preparada "no caso de um plano de paz ou um cessar-fogo".

O chanceler russo agradeceu à Suíça pelo interesse em estabelecer contatos diplomáticos com Moscou e observou que sua conversa com os representantes abordaria os processos globais que estão impactando negativamente a organização.

Ao fundo do poço

Em declarações anteriores, Lavrov afirmou que a organização já foi considerada a pedra angular da segurança europeia e uma plataforma essencial para o diálogo, mas que agora está desacreditada e atravessa uma crise profunda, possivelmente irreversível.

"A OSCE chegou ao fundo do poço", declarou o chanceler russo em 20 de janeiro.

A Rússia não considera deixar a OSCE. O ministro esclareceu que a presença contínua de Moscou não se baseava em "esperança ou ilusões", mas em um objetivo concreto: fornecer apoio aos Estados-membros que, em sua avaliação, "mantêm o bom senso". Entre eles, mencionou a Hungria e a Eslováquia, bem como "uma série de outros países ocidentais".