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Começam as negociações entre EUA e Irã em Omã

As negociações ocorrem em meio às novas tensões entre Washington e Teerã e ameaças de intervenção militar pelo presidente americano.
Começam as negociações entre EUA e Irã em OmãGettyimages.ru / Oleksii Liskonih

As negociações entre os Estados Unidos e o Irã começaram nesta sexta-feira (6) em Mascate, capital de Omã, informou a Al Jazeera.

A delegação americana é representada pelo enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff. Já a parte iraniana é liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Seyed Abbas Araghchi, que chegou ao país na quinta-feira (5).

Omã sediou uma série de conversas semelhantes no ano passado. Contudo, elas foram interrompidas em junho, quando Israel lançou uma ofensiva que resultou na guerra de 12 dias contra o Irã, marcada por bombardeios americanos sobre instalações nucleares do país.

O entendimento sobre o alcance das negociações difere entre as partes, já que Washington insiste em incluir o programa de mísseis iraniano, enquanto Teerã limita o diálogo ao seu programa nuclear.

Tensões EUA x Irã

O diálogo ocorre em um contexto de tensão crescente entre Washington e Teerã, intensificada desde janeiro, quando Trump ameaçou uma intervenção militar. 

  • A tensão entre os Estados Unidos e o Irã aumentou no início de janeiro, quando Trump ameaçou uma intervenção militar, alegando preocupação com os participantes dos protestos internos no Irã. Embora as manifestações tenham cessado, Washington manteve a pressão, recalibrando seu argumento de volta à oposição aos programas nucleares e de mísseis de Teerã.
  • A agência iraniana de notícias ISNA revelou em 26 de janeiro que mensagens estão sendo trocadas entre o enviado especial da Casa Branca, Steven Witkoff, e o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, de acordo com o representante permanente nas Nações Unidas em Genebra, Ali Bahraini.
  • Em 27 de janeiro, Trump anunciou que uma "grande armada" se dirigia ao Irã dias depois que o porta-aviões USS Abraham Lincoln e outros navios de guerra foram enviados ao Oriente Médio, deixando o país persa ao alcance de possíveis ataques.
  • Teerã respondeu com uma advertência clara: qualquer ação militar será considerada uma declaração de guerra, e afirmou que suas forças estão prontas para responder imediatamente. Entretanto, também deixou uma porta aberta para o diálogo, condicionando-o ao "respeito mútuo".
  • Na segunda-feira (2), o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, Abdolrahim Mousaviadvertiu que qualquer erro de cálculo por parte daqueles que tentarem atacar seu país desencadeará uma resposta contundente por parte da República Islâmica.