
Arquivos revelam participação de mexicanos no exército de Hitler durante Segunda Guerra

Cidadãos mexicanos que foram à Alemanha para lutar no exército nazista na Segunda Guerra Mundial retornaram ao país ao lado de criminosos que conseguiram escapar dos julgamentos de Nuremberg. As informações foram recentemente divulgadas pela imprensa local (1º).
Segundo investigação do jornalista Juan Alberto Cedillo, permanece desconhecido o número exato de mexicanos que cruzaram o Atlântico para apoiar Adolf Hitler, assim como quantos morreram em combate ou conseguiram retornar ao México.

A reportagem revela pela primeira vez os nomes de alguns desses nazistas mexicanos que, durante a guerra, enviaram cartas ("o Führer está nos conduzindo ao melhor", diz uma delas), fotografias e cartões-postais às famílias.
O material está hoje sob guarda do Arquivo Geral da Nação do México. Também foram consultados arquivos do Ministério das Relações Exteriores com registros de imigração e passaportes.
O México não integra a lista de países com processos judiciais relacionados à fuga de responsáveis pelo Holocausto, mas o autor defende que a investigação avance.
História
Em seu livro "Os Nazistas no México", publicado em 2007, Juan Alberto Cedillo apontou que, antes da guerra, Hitler acreditava que uma aliança com o México poderia favorecer seus objetivos militares.
O autor afirma ainda que a Alemanha cobiçava recursos petrolíferos e minerais mexicanos e elaborou estratégias para estimular apoio ao nazismo no país, convencendo cidadãos de origem alemã a se alistarem no Exército de Hitler.
O recrutamento ocorreu durante o governo de Lázaro Cárdenas (1934-1940), período em que o México declarou neutralidade após condenar as invasões nazistas a países europeus com o início da guerra.
Quando os mexicanos que lutaram ao lado dos nazistas tentaram retornar, Manuel Ávila Camacho (1940-1946) já havia assumido o poder e encerrado a neutralidade do país.
Em 1942, depois que a Alemanha afundou dois petroleiros mexicanos, o governo declarou guerra e se juntou aos aliados, enviando o Esquadrão 201, com mais de 300 soldados, às Filipinas para combater o Japão.
Além desse contingente, estima-se que ao menos 50 mil mexicanos tenham se voluntariado para exércitos que lutaram contra o nazismo, o que indica a possibilidade de confrontos entre mexicanos em lados opostos do conflito.

