Tempestades assolam Península Ibérica e impactam eleições em Portugal

Preocupações adicionais surgem com a aproximação da tempestade Marta, prevista para atingir a região durante o fim de semana, com previsão de chuva intensa, neve e ventos fortes.

Tempestades têm causado devastação em Portugal e Espanha desde o início de 2026, marcando uma série seis eventos climáticos extremos que atingiram a Península Ibérica neste ano. A mais recente, a tempestade Leonardo, está provocando inundações, desalojamentos e mortes, criando uma situação particularmente insegura diante das vindouras eleições majoritárias de Portugal, marcadas para o próximo domingo (8).

Segundo informações do jornal português RTP, centenas de pessoas foram feridas e desalojadas e doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada, na sequência da passagem das tempestades Kristin e Leonardo. Um homem de 70 anos faleceu após seu veículo ser arrastado por uma correnteza em Alentejo.

Sob as fortes chuvas, o rio Tejo duplicou seu volume, provocando cheias em diversas cidades ribeirinhas e levando à evacuação de áreas habitadas. Diante da cheia do rio Sado, a cidade de Alcácer do Sal está submersa, o que demandou o resgate de 89 pessoas entre quarta (4) e quinta-feira (5) pelas autoridades de segurança. Outros rios também apresentam risco elevado de transbordamento, com estradas submersas e deslizamentos de terra.

Somente na quinta-feira, a Marinha portuguesa resgatou mais de 130 pessoas afetadas pelas cheias, utilizando botes em áreas de risco e colaborando na remoção de detritos e reconstrução de habitações.

A situação de calamidade pública em Portugal foi prolongada até 15 de fevereiro, abrangendo 68 municípios e disponibilizando um apoio financeiro de até 2,5 bilhões de euros (cerca de R$ 15,5 bilhões). O governo português apelou a emigrantes da construção civil para que retornem ao país e auxiliem na reconstrução das infraestruturas danificadas.

O governo espanhol mobilizou 3.500 policiais para auxiliar nas evacuações e registrou interdições em 148 estradas, principalmente na província de Cádiz. Uma mulher desapareceu ao tentar salvar seu cachorro em Málaga, sendo procurada por equipes de resgate com apoio de helicópteros e drones.

Em Sevilha, as comportas do rio Guadalquivir foram fechadas para proteger o bairro histórico de Triana, e partes da torre Giralda da catedral desabaram devido aos fortes ventos.

Preocupações adicionais surgem com a aproximação da tempestade Marta, prevista para atingir a região durante o fim de semana, com previsão de chuva intensa, neve e ventos fortes.

Tempestade eleitoral

As tempestades estão também projetando uma sombra sobre a logística do segundo turno eleitoral português. Enquanto o Governo e a Comissão Nacional de Eleições (CNE) defendem a manutenção da votação, alguns municípios solicitaram o adiamento devido às condições adversas e aos danos causados.

A CNE e o presidente Marcelo Rebelo de Sousa esclareceram que a Lei Eleitoral do Presidente da República permite o adiamento apenas em casos específicos e a nível municipal, sendo que a decisão final cabe aos presidentes de câmara. Segundo o jornal português Publico, a lei não prevê um adiamento geral a nível nacional, mesmo em situações de calamidade pública.

Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos, Pombal e Golegã decretaram formalmente o adiamento das eleições em seus respectivos territórios.

O candidato presidencial André Ventura, presidente do partido ultranacionalista Chega, defendeu o adiamento por uma semana, argumentando que as condições não permitiriam uma participação equitativa dos eleitores. Ventura apontou que é "um bocadinho estranho que uma parte do país vote e a outra não", avaliando que a situação é um risco democrático que se estende não apenas para os moradores de regiões afetadas, mas também para a população mobilizada em sua assistência.

Citado pelo jornal luxemburguês Contacto, o candidato António José Seguro afirmou na quinta-feira que qualquer adiamento só é aceitável "dentro do quadro legal e constitucional do país". Ele se recusou a comentar a proposta de adiamento de Ventura, indicando não haver prejuízo na realização assíncrona da votação em diferentes territórios.

O Governo, ciente das dificuldades enfrentadas por algumas populações, criou espaços do cidadão móveis e permanentes para facilitar o acesso à informação e aos serviços de assistência. Apesar disso, o primeiro-ministro Luís Montenegro se dirigiu à população na noite de quinta-feira e manteve o apelo à participação eleitoral, enfatizando que a escolha do Presidente da República é um direito e um dever cívico.