Brasil e Rússia defendem África do Sul no G20 e criticam tentativa de exclusão por Washington

Declaração conjunta da CAN reforça compromisso com governança multilateral e alerta contra decisões unilaterais.

Brasil e Rússia manifestaram preocupação com a tentativa de excluir a África do Sul do G20 sob a presidência dos Estados Unidos, marcada para o ano de 2026. A declaração conjunta foi divulgada nesta quinta-feira (5), ao término da 8ª Reunião da Comissão de Alto Nível de Cooperação (CAN), realizada em Brasília com a presença do primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin.

No documento, os dois países sublinham que o G20 é o principal fórum de cooperação econômica internacional, criado para promover o crescimento sustentável e o diálogo equitativo entre seus membros. Nesse sentido, Brasil e Rússia destacaram o papel do grupo no fortalecimento da presença de economias emergentes no sistema de governança global, sobretudo nas instituições financeiras e comerciais internacionais.

O texto faz referência direta à tentativa de impedir a atuação plena da África do Sul no G20 de 2026, que será sediado em Miami, nos Estados Unidos. As Partes exortaram o restabelecimento da participação do país africano e frisaram que o grupo deve seguir atuando com base nos princípios de governança coletiva, decisões por consenso e manutenção da representatividade estabelecida.

A posição bilateral surge após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou publicamente que a África do Sul não será convidada para a cúpula do G20 no próximo ano. A justificativa apresentada por Trump foi a recusa do governo sul-africano em transferir a presidência rotativa do G20 para um representante norte-americano ao fim da última cúpula, realizada em Joanesburgo.

Trump também acusou a África do Sul de promover "genocídio contra pessoas brancas", referindo-se a denúncias envolvendo a comunidade afrikaner, e anunciou a suspensão imediata de todos os repasses dos Estados Unidos ao país. 

Em resposta, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, criticou a ausência dos Estados Unidos no encerramento da cúpula de 2025 e classificou as acusações como "infundadas e falsas".

Segundo ele, o país continuará participando do G20 como membro pleno e fundador, reafirmando seu compromisso com o multilateralismo e a solução de conflitos por meio do diálogo.

Na declaração da CAN, Brasil e Rússia também valorizaram os avanços obtidos no âmbito do G20 durante as presidências anteriores dos países do BRICS, entre 2022 e 2025, e reforçaram a importância de preservar o caráter representativo e inclusivo do fórum.