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Rússia quer ampliar comércio com Brasil e propõe cooperação nuclear, energética e tecnológica

Reunião entre Lula e primeiro-ministro russo reforça transição energética, uso pacífico do nuclear e aumento do comércio bilateral.
Rússia quer ampliar comércio com Brasil e propõe cooperação nuclear, energética e tecnológicaGettyimages.ru / DedMityay

O primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin, se reuniu nesta quinta-feira (5), em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a 8ª Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN). O encontro marcou um avanço nas relações bilaterais e resultou em compromissos para ampliar o comércio, intensificar a cooperação energética e desenvolver projetos conjuntos em ciência e tecnologia.

De acordo com comunicado oficial da Embaixada da Rússia no Brasil, Moscou e Brasília concordaram em "adotar medidas adicionais para aumentar o volume de comércio bilateral e aprimorar a estrutura comercial", com impacto direto na atração de investimentos e no apoio a iniciativas nas áreas de energia, indústria, agricultura, alta tecnologia e exploração espacial.

O setor energético foi um dos pontos centrais da declaração conjunta divulgada após a reunião da CAN. As Partes destacaram a importância de transições energéticas justas como ferramenta para alcançar metas de desenvolvimento sustentável, reforçando a segurança energética e respeitando as particularidades nacionais. O documento afirma que o objetivo é facilitar o crescimento econômico com baixo nível de emissão de gases de efeito estufa.

Outro destaque da reunião foi o fortalecimento da parceria no uso pacífico da energia nuclear. As Partes expressaram satisfação com os resultados alcançados até o momento e manifestaram interesse em ampliar o fornecimento de radioisótopos medicinais, com foco nas demandas do setor de saúde.

O comunicado também confirma o compromisso de promover projetos conjuntos voltados à geração de energia nuclear, ao ciclo do combustível nuclear e à modernização da base jurídica que regula essa cooperação.

Segundo Mishustin, a Rússia está disposta a compartilhar sua tecnologia nuclear pacífica com o Brasil. Já o Palácio do Planalto informou que "o presidente e o primeiro-ministro concordaram sobre o potencial ainda pouco explorado do comércio bilateral, cujas cifras ainda não espelham o tamanho das duas economias".

Pesquisa e inovação

No campo da ciência, tecnologia e inovação, o vice-presidente da República Federativa do Brasil e o presidente do Governo da Federação da Rússia destacaram a relevância da agenda bilateral e acordaram ampliar a cooperação em áreas consideradas estratégicas.

Estão previstos projetos conjuntos em nano e biotecnologias, astrofísica, estudos nucleares, tecnologias quânticas, ciências espaciais, inteligência artificial, digitalização, além de pesquisa polar, geodésica, marinha e sobre mudança do clima. O desenvolvimento de instalações científicas da classe "MegaScience" também integra a pauta.

Os Copresidentes da Comissão também ressaltaram o avanço da cooperação educacional, com destaque para os vínculos estabelecidos entre instituições de ensino superior dos dois países.

Segundo a declaração conjunta, há satisfação mútua com os resultados obtidos nos fóruns de Reitores das Universidades do Brasil, da Rússia e de Belarus, além dos encontros regulares realizados no âmbito do BRICS. Esses espaços têm contribuído para o fortalecimento de parcerias acadêmicas e o intercâmbio de conhecimento em áreas estratégicas para o desenvolvimento científico e tecnológico bilateral.

O comunicado russo também mencionou avanços na área cultural, como o apoio à Escola de BaléBolshoi  em Joinville, e destacou a intenção de promover o turismo entre os dois países.