Investigação dos EUA sobre influência chinesa no agro brasileiro alerta para possíveis retaliações

Para a especialista Andréia Weiss, citada pelo jornal O Globo, relatório representa um ''risco real'', com possíveis impactos na economia brasileira.

O Congresso dos Estados Unidos aprovou, em dezembro de 2025, a Seção 6705 da Lei de Autorização de Inteligência para o Ano Fiscal, que determina a elaboração de um relatório sobre os investimentos da China no setor agrícola do Brasil. Para Andréia Weiss, advogada especialista em comércio internacional, a medida acende um alerta para potenciais retaliações norte-americanas contra o setor.

"Há um potencial ponto de apoio para futuras decisões de política comercial capazes de afetar, direta ou indiretamente, o agronegócio brasileiro. Existe, portanto, o risco concreto de que o relatório a ser elaborado com base nas premissas da Seção 6705 venha a ser utilizado para justificar restrições comerciais a produtos do setor agrícola que integrem cadeias produtivas com presença de capital chinês", afirmou a especialista em entrevista ao jornal O Globo.

Weiss é a única brasileira a integrar a Strategic Alliance on WTO and Trade Remedies Law and Practice, associação que reúne especialistas jurídicos em comércio internacional.

Em 2025, o Brasil foi o terceiro maior destino de investimentos chineses no mundo, segundo um estudo do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) divulgado ao longo do ano. Isso se mostra especialmente relevante no contexto da autodeclarada ''Doutrina Donroe'' de Donald Trump.