
Investigação dos EUA sobre influência chinesa no agro brasileiro alerta para possíveis retaliações

O Congresso dos Estados Unidos aprovou, em dezembro de 2025, a Seção 6705 da Lei de Autorização de Inteligência para o Ano Fiscal, que determina a elaboração de um relatório sobre os investimentos da China no setor agrícola do Brasil. Para Andréia Weiss, advogada especialista em comércio internacional, a medida acende um alerta para potenciais retaliações norte-americanas contra o setor.
"Há um potencial ponto de apoio para futuras decisões de política comercial capazes de afetar, direta ou indiretamente, o agronegócio brasileiro. Existe, portanto, o risco concreto de que o relatório a ser elaborado com base nas premissas da Seção 6705 venha a ser utilizado para justificar restrições comerciais a produtos do setor agrícola que integrem cadeias produtivas com presença de capital chinês", afirmou a especialista em entrevista ao jornal O Globo.

Weiss é a única brasileira a integrar a Strategic Alliance on WTO and Trade Remedies Law and Practice, associação que reúne especialistas jurídicos em comércio internacional.
Em 2025, o Brasil foi o terceiro maior destino de investimentos chineses no mundo, segundo um estudo do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) divulgado ao longo do ano. Isso se mostra especialmente relevante no contexto da autodeclarada ''Doutrina Donroe'' de Donald Trump.
- Em abril de 2025, o secretário de Guerra do governo de Donald Trump, Pete Hegseth, queixou-se da influência chinesa na América Latina, e prometeu que os Estados Unidos retomariam o seu ''quintal'' de volta.
- Desde então, Washington adotou uma série de medidas consideradas hostis contra países da região. As ações incluem a imposição de tarifas comerciais elevadas contra o Brasil, em uma tentativa de interferir em seu cenário político; disputas verbais com o presidente da Colômbia; interferência direta nas eleições de Honduras; um ataque em grande escala contra a Venezuela e, mais recentemente, o anúncio de um decreto que prevê tarifas contra parceiros comerciais de Cuba.
