
Índia aposta na 'mineração urbana' para reduzir dependência externa

O governo indiano aprovou um incentivo de aproximadamente 15 bilhões de rúpias (R$ 872 milhões) para modernizar o setor de reciclagem de minerais críticos. Conforme noticiado pelo jornal Nikkei Asia nesta quinta-feira (5), a medida visa criar uma cadeia doméstica robusta para metais essenciais, hoje escassos no país.
O foco principal do projeto que foi publicado em setembro de 2025 é a recuperação eficiente de materiais como lítio, cobalto e terras raras, fundamentais para a fabricação de baterias de veículos elétricos e outras tecnologias. Atualmente, a Índia depende de importações caras para suprir essa demanda industrial.

Conforme reportado pelo jornal, o plano está "ganhando forma" para combater o atraso tecnológico local. A publicação destaca que a Índia busca superar métodos informais de reciclagem, que desperdiçam recursos valiosos e poluem o meio ambiente.
"O plano nos permite escalar muito mais rapidamente e ampliar a capacidade em baterias de íon-lítio, lixo eletrônico, conversores catalíticos e ímãs", contou Pranati Kohli, diretor de relações públicas da Attero Recycling, uma das empresas interessadas no projeto. "Pretendemos atingir padrões globais e fortalecer a segurança mineral da Índia", acrescentou.
Movimento estratégico
A iniciativa é um movimento estratégico da Índia para reduzir a dependência do mercado global, que domina o processamento desses minerais. A autonomia energética e a segurança de recursos tornaram-se prioridade para a agenda econômica de Nova Délhi.
A chamada "mineração urbana" é vista como a solução mais rápida para mitigar a falta de reservas naturais no subsolo indiano.
Empresas locais e startups de tecnologia limpa poderão concorrer até 1º de abril pelo financiamento do governo indiano para estabelecer unidades de processamento avançadas. A expectativa é que o esquema acelere a transição da Índia para uma economia de baixo carbono e autossuficiente.
