
EUA convidam Brasil a integrar coalizão de minerais críticos para reduzir dependência da China

Os Estados Unidos convidaram o Brasil para integrar uma ''nova coalizão internacional voltada ao fornecimento, à mineração e ao refino de minerais críticos'', informou na quarta-feira (4) o jornal O Globo, citando integrantes do governo brasileiro como fonte.
A proposta apresentada envolve o estabelecimento de preços mínimos coordenados, protegidos por tarifas ajustáveis, para incentivar o investimento e evitar a desvalorização causada por excesso de oferta.

No momento, no entanto, o governo Lula avalia o alcance e as implicações estratégicas do convite com cautela. Segundo as informações, Brasília pretende superar o papel de "mero exportador de matérias-primas brutas" e busca acordos que garantam o fortalecimento da cadeia produtiva no país, com investimentos em refino, processamento e agregação de valor à produção nacional.
Na quarta-feira, representantes brasileiros participaram da primeira Conferência Ministerial sobre Minerais Críticos, liderada pelo vice-presidente J.D Vance. Na ocasião, Vance destacou que os EUA tem o objetivo de "diversificar a oferta global no mercado de minerais críticos, fortalecendo, ao mesmo tempo, os países parceiros que nos ajudam nesse esforço conjunto."
Preocupação com Pequim
A iniciativa norte-americana reflete a preocupação com a utilização da influência da China sobre o mercado de minerais críticos como ferramenta de negociação, especialmente após restrições de exportação impostas no ano passado. Apesar de não mencionar diretamente a China, autoridades americanas enfatizaram a necessidade de garantir uma cadeia de suprimentos mais segura e diversificada.
"Terceirizamos a produção para podermos nos concentrar no design desses produtos. E então, um dia, acordamos e percebemos que havíamos terceirizado nossa segurança econômica e nosso próprio futuro. Estávamos à mercê de quem controlasse as cadeias de suprimentos desses minerais", afirmou Vance em seu discuso na conferência.
A atenção dos EUA ao Brasil se justifica pelo potencial do país na exploração de minerais críticos como terras raras, cobre, níquel e nióbio. Fontes do portal g1 indicam ainda que o tema pode ser discutido na vindoura reunião entre Lula e Trump em Washington, que deve ocorrer em março deste ano.

